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ARMANDO MARQUES

Embora de âmbito essencialmente religioso este tempo de quaresma, que se inicia na quarta feira de cinzas, dia seguinte ao Carnaval, contém toda uma diversidade de manifestações profanas tradicionalmente a ele ligadas. É o caso da “serra essa velha” como o desaparecido baile de micareme (a meio da Quaresma). Na igreja Matriz realizava-se, de segunda a quarta feira santa a cerimónia das trevas que dava ensejo para umas malandrices da rapaziada, pregando as saias de quem assistia.. Na quinta feira Santa o passeio dos bois da Páscoa que antecedia a grande matança no matadouro municipal, onde numerosos mirones assistiam com, para mim, inexplicável prazer. Pessoalmente preferi desde 1944 fazer uma merenda com pão-de-ló do Dias biscoiteiro e vinho verde da Vinícola de Basto, hábito que se mantém contando já 71 anos, com mudança de caras e de ementa (e de local) e um totalista, eu próprio. La estarei para a semana que a tradição não morre. A visita nocturna às igrejas vai-se mantendo, mas o passeio dos bois é evocado por iniciativa municipal em dia mais conveniente, este ano no domingo dia 29. Depois vinha a alegria esfusiante das aleluias ao meio dia de sábado e à noite, depois de lido o seu testamento se queimava o Judas. No domingo acontecia o beijar a mão ao padrinho que, em troca, oferecia a rosca de trigo. O pão-de-ló era só para os mais abastado, que os havia, mas poucos. Seguia-se o compasso e nos entretantos o jogo da péla ocupando ruas e largos e fazendo algazarra quanto baste- A segunda-feira era o grande pic-nic no Anjo (Argivai) ao que parece em vias de recuperação, mas com alternativas em concelhos vizinhos que o nosso não suporta tantos merendeiros. A moda era exclusivamente poveira, mas foi paulatinamente influenciando as populações vizinhas e agora é quase geral na região nortenha. Para além de outras zonas do País onde igualmente se passa aquele dia à sombra de arvoredo, com a toalha estendida no chão. Era dia de danças e cantares, no percurso que se fazia a pé, com prolongamento do jogo da pela para abrir o apetite e fazer sede para se utilizar o garrafão estava lá para matar a dita. O automóvel matou o hábito. Tive já a oportunidade de apresentar no Arquivo Municipal preenchendo um “Às quartas (h)á conversa” um diaporama com os diversos aspectos fotográficos de todas as cerimónias que iam acontecendo nesta quadra tão religiosamente vivida. Deixaram de se realizar as procissões aos entrevados (e presos, na cadeia poveira) as de Endoenças, a das lanternas, mas mantêm-se os Passos (Amorim, Póvoa e Rates), Ramos, do Senhor Morto e da Ressurreição. Pode afirmar-se que este período de Quaresma só tem significado e vivência apropriada no Norte do País. Felizmente que as Associações de Bairro, o Município, a Santa Casa da Misericórdia e as Paróquias com as respectivas Confrarias arranjam formas de manter estas tradições, com a evolução própria que o passar do tempo explica. BOA PASCOA. JÀ AGORA, NÃO ACHAM QUE DEVIA HAVER UM SUBSÍDIO DE PÁSCOA, COMO O DO NATAL?
GALERIA DE ARTE
Depois de oito convites que por razões diversas fiquei impossibilitado de aceitar, finalmente pude corresponder ao nono e ter a oportunidade de visitar a galeria de arte inserida no espaço profissional do Dr. Afonso Pinhão Ferreira, médico odontologista e. Professor Universitário, presidente da Assembleia Municipal e também … pintor e escultor. O que me foi dado ver levou-me a integrar esta galeria de arte no roteiro existente que sem qualquer hierarquia integram o Diana Bar, a Biblioteca Municipal, o Turismo, o Casino, a Filantrópica e acidentalmente outros locais, alguns privados, tornando a Póvoa de Varzim uma cidade bem equipada também nesta forma de divulgar a arte. Para além do catálogo da exposição de Guilherme Fonseca com o curioso título “Coisas ao contrário … e outras”, fui obsequiado com o catálogo de excelência gráfica e de conteúdo “Olhadelas – Oleadelas” nada mais que a diversificada arte do próprio Dr. Afonso que privilegia como modelo preferencial nas diversas áreas da arte que domina, sua esposa Dr.ª Alexandrina. Um casal que vive a arte pela arte, valorizando culturalmente a nossa cidade. Parabéns e obrigado.
OBITUÁRIO
De forma muito breve que me falta capacidade para acrescentar algo ao que já foi dito por figuras proeminentes, que subscrevo, quero apenas registar a mágoa que me chocou ao saber do inesperado falecimento do Prof. Pe. João Marques a que me ligavam laços de grande amizade e até parentesco, que a nossa árvore genealógica, segundo o especialista Óscar Fangueiro, entroncava no Francisco Marques de meu pai. Um abraço sentido ao colega e amigo Lídio e demais família. Também oportunidade para recordar outro ilustre poveiro, o Mons. Abílio da Nova, que o nosso Município, representado pelo próprio Presidente Eng.º Aires Pereira, este ano homenageou, no Rio de Janeiro. A Póvoa está mais pobre.