Actualidades – Gravatas

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ARMANDO MARQUES

De um momento para outro e numa improvável ligação com a crise grega, um facto se sobrepôs a tudo o resto, o uso da gravata ou a falta dela Este “acontecimento” que pareceria marginal e passageiro, veio a
alcandorar-se como de pertinente relevância, a ponto de ter provocado elegante oferta inter-nações de um desses adereços masculino (e também feminino, diga-se)) ao recém eleito primeiro ministro grego. O caso não é inédito, pois na década de 60, o meu saudoso colega e amigo Eugénio Lapa Carneiro, criou ou deu sequência a uma página de assuntos culturais no também saudoso “Comércio da Póvoa (se me não falha a memória, a página terá sido criada por outro amigo o José Carlos Vasconcelos, este felizmente vivinho da costa, com presença assegurada nas Correntes de Escritas). No contexto que sustentava a página foi organizado um concurso de poesia, que após apuramento de classificação por um júri abalizado, encerraria com uma sessão dita solene no salão nobre do Casino, onde seria revelados os vencedores e entregues os respectivos prémios. Mas tudo ficou na vontade frustrada do responsável, o Eugénio Carneiro, a quem foi vedado o acesso ao salão nobre, por não usar na sua indumentária a gravata. Um funcionário do Casino, muito popular na época, o senhor Elisiário, era detentor de uma colecção de gravatas que “emprestava” a clientes apanhados de surpresa e que persistissem em ter acesso a qualquer dos salões do Casino. O Eugénio não entendeu tal proibição, aliás comum a todos os casinos portugueses, e recusou a solução possível. Numa posterior crónica de sua autoria, explicativa do sucedido, apelidou a gravata de “parafuso intelectual”. Não houve cerimonial de encerramento, mas criou-se uma nova designação para uma peça de vestuário que os chineses vendiam de forma ambulante, mais baratas e de padrões muito variados, do que nas lojas da especialidade. Agora, passado meio século, a gravata volta a ganhar protagonismo. Quem diria.

FACEBOOK
Eu também entrei nesta modernice da internet há já alguns anos e no facebook muito recentemente, para ter acesso à publicação de alguns motivos de interesse pessoal, caso de fotos da Póvoa antiga, que para mim ou são revelação, ou um matar de saudades de imagens que já tinha conhecido quando jovem, pelo menos desde 80 anos para cá. Indaguei junto de um amigo como poderia fazê-lo e ele me aconselhou a aderir ao FB (isso, é assim que se abrevia o facebook) sem ter necessidade de postar (linguagem condizente) mas apenas aceder ao que me interessava. Sabia de um grupo de amigos (todos somos amigos, eu já conto mais de 200) que se designavam “Povoa ontem e hoje” onde se revelam numerosas fotos e postais de outras eras, dos primórdios da nossa praia e de aspectos urbanísticos de saudosa memória ou até reveladores de aspectos já desaparecidos, se anteriores aos meus 6/7 anos de vida, na década de 30. Comecei por tentar mexer no smartfones e dele tirar todo o proveito, que o raio do aparelho faz de tudo e até telefonemas (esta ouvi-a a alguém). Aos poucos e de mistura com alguns disparates cá vou aprendendo a lidar com o brinquedo e de vez em quando atrevo-me a escrever umas coisas. Importante é a partilha (outro termo de muito uso) por exemplo, das crónicas que vou mantendo nestas colunas e que aumentam a sua divulgação. Não quero, por poder cometer lapso involuntário, mas inevitável, fazer menção de nomes desses colaboradores que sustentam a minha curiosidade fotográfica, mas um nome lidera o grupo, o Xavier Flores, e na sua pessoa endereço os meus agradecimentos a todos eles e felicito-os pelo baú de fotos antigas, que diariamente vão revelando e partilhando. Fica explicado como um muito usado sujeito de quase 86 anos, (eu) entrou nesta modernice. Convido outros meus contemporâneos ou mais jovens a entrarem neste novo e aliciante Mundo da internet, com as cautelas que também são precisas. Aproveitem os cursos que uma vez e outra vão ensinando a forma de o fazer. Não vão arrepender-se, tenho a certeza.