ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS

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CURIOSIDADES …

 Quando finalmente resolveram limitar os mandados para as eleições autárquicas e, por arrastamento o PS resolveu limitar também os mandados para os dirigentes partidários concelhios, todos acharam que finalmente iriam ser resolvidos muitos dos problemas que inquinavam o Poder Local.

Por um lado, facilitava-se a renovação dos eleitos, arejando-se este tão importante elemento da democracia.

Por outro lado, facilitava-se ainda mais esta evolução pois acabava-se com os eternos poderes partidários que inquinavam as escolhas que, devendo ser livres e autênticas, eram sempre limitadas pelas teias de interesses que se iam desenvolvendo nos detentores do poder local.

 Estávamos todos enganados.

 Os que saiam por força do cumprimento da Lei, escolhiam os seus sucessores, garantindo que os que indicavam para os substituírem o fariam só de passagem, deixando-lhe novamente os seus lugares passados os quatro anos de “nojo” que a Lei impunha.

Escolhiam portanto, num caso como no outro, pessoas que lhe permitiriam continuar na sombra a manobrar os cordelinhos do poder, onde esperavam eles, voltariam sem dificuldade aos seus antigos lugares.

 Também neste caso eles se enganaram.

 Em alguns casos, porque num assomo de dignidades pouco vulgar, os escolhidos se recusaram a serem “paus mandados” dos seus antigos mentores, e assumiram por inteiro os lugares para que foram eleitos não assegurando o servilismo que se esperava.

Noutros porque, criando os seus próprios interesses, se recusavam a sair como tinham combinado. E assim, nunca se assistiu em democracia a tantos independentes.

Uns, não querem sair, outros querem voltar.

É certo que o descrédito dos eleitores nos Partidos Políticos é enorme o que fomenta e fortalece um movimento de renovação fora dos cânones partidários habituais o que seria óptimo não fora a indiferença de muitos que até, penso eu, irão eleger prevaricadores condenados pela justiça por atitudes de toda a espécie, premiando a fraude e a venalidade a que temos assistido.

 Em Vila do Conde, concelho onde resido, o PS não aceitando o comportamento íntegro da sua candidata de há quatro anos, e embora reconhecendo, até há bem pouco tempo, o seu bom desempenho e considerando-a a sua “candidata natural” resolveu trava-la, forçando-a a aceitar os candidatos que, sem lhe dar cavaco, escolheu para a acompanhar na sua candidatura.

Naturalmente e bem, esta não aceitou a imposição e entendeu apresentar-se como independente.

Caiu o “Carmo e a Trindade” em Vila do Conde.

O PS que naturalmente já contava com esta reação, rapidamente a substituiu, curiosamente pelos mesmos vereadores que a acompanharam em todo o mandato, reafirmando que todos tinham cumprido o prometido.

O que até há pouco estava bem, agora está mal e não serve.

E vai daí, possivelmente receando a boa gestão conseguida nos últimos quatro anos, toca a criticá-la e denegri-la da forma mais despudorada que se pode imaginar.

Chega a ser indigno o que se passa,

Curiosamente, neste concelho concorrem três independentes, todos saídos dos partidos existentes.

E mais curioso ainda, é que quatro dos candidatos à Presidência, continuam a gerir a Câmara actual e todos eles têm direito a fazer campanha com o conhecimento normal das propostas que se vão discutindo, publicitando-as.

Para todos, esta atitude é correcta e democrática.

A única que não pode divulgar o que já todos sabem, é a independente e actual presidente. O que ela diz e defende, não é democrático e por isso é um aproveitamento do seu lugar de Presidente.

E os outros o que são?

Perdoem-me mas em muitos, muito anos de política, e tendo assistido a muita anormalidade, não entendo.

Seria muito longo descrever as outras, muitas outras, “habilidades e atropelos” que por estes lados se vão ouvindo, juntando-lhe as inúmeras “pressões” que consta serem muito frequentes.

O texto é já demasiado longo para um artigo de jornal.

Observem e estejam atentos.

É aterrador ver o despudor do que por aqui se passa.

Tenhamos todos um mínimo de vergonha, e, seguindo o velho ditado, “ vamos aprendendo até morrer”.