Empresa têxtil Azincon selada por ordem judicial

26

A empresa têxtil Azincon, de Vila do Conde, que em agosto entrou em processo de insolvência, foi na sexta-feira selada por ordem judicial, de modo a garantir integridade do recheio, fez saber uma representante dos trabalhadores.

Isto vai possibilitar ao administrador de insolvência nomeado levar a cabi as diligências para salvaguardar o património, designadamente as máquinas de trabalho, e aferir as condições que conduziram à falência da firma.

Na manhã de sexta, o administrador teve a colaboração de funcionárias da empresa para catalogar as máquinas, tendo, também, permitido que as trabalhadoras resgatassem alguns dos seus objetos pessoais que ainda estavam nas instalações.

Carina Ferreira, porta-voz dos trabalhadores, disse que “estiveram três funcionárias a dar informações sobre as máquinas para o administrador de insolvência. Não podemos afirmar que falta equipamento, mas também não podemos dizer que estão lá todos. A informação que nos deram é que a empresa será hoje lacrada”.

A mesma fonte refere que está em causa uma “insolvência danosa”, não acreditando nas informações que dão conta que a proprietária tenha vendido as máquinas da empresa a um dos filhos, antes do processo de insolvência.

O inventário da fábrica é “muito importante, pois sem o que está lá dentro não será possível pagar o que as trabalhadoras têm direito depois de tantos anos de trabalho”, continuou Carina Ferreira.

A funcionária espera que o “tribunal faça justiça”, considerando que “não se podem repetir situações como esta em que mais de 130 trabalhadores vão para o desemprego”.

A situação de empresa Azincon, e os despedimentos, tinha sido denunciada, pelo PCP/Vila do Conde, que anunciou que os trabalhadores, na maioria mulheres, não tinham recebido os salários de julho e agosto e as respetivas indemnizações. O partido denunciou igualmente que a empresa “procurou livrar-se de material e máquinas nos meses anteriores a este encerramento”.

Já o Bloco de Esquerda instou o Governo a tomar medidas urgentes para apoiar os 133 trabalhadores despedidos.

A Câmara de Vila do Conde, após reunião com um grupo de trabalhadores e representantes do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFO), assegurou apoio social e a criação de uma linha especial de atendimento para responder às necessidades dos funcionários que ficaram sem o emprego.

Quanto ao grupo parlamentar do PS na Assembleia de República, comunicou que vai averiguar “a legitimidade e boa-fé do processo de insolvência” da empresa.

Para o dia 7 de outubro está agendada uma assembleia de credores.