Eurodeputado do PCP reúne com armadores no porto da Póvoa para analisar apoios

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João Ferreira, deputado do PCP ao Parlamento Europeu, juntamente com membros da Direcção da Organização Regional do Porto e das Comissões Concelhias da Póvoa de Varzim e Vila do Conde do PCP, teve na quinta feira um encontro com armadores no porto de pesca da Póvoa de Varzim.

Este encontro vem na sequência de um protesto realizado no dia 1 de maio por um conjunto de armadores que reclamam apoios perante as dificuldades sentidas nestas últimas semanas, onde apontam para uma quebra de 40%, devido ao preço do pescado e às limitações impostas de pesca ao fim de semana.

Mas os problemas do setor, como referiu João Ferreira, não sendo de agora, acentuaram-se no decurso do Covid-19. Dificuldades acrescidas a juntar às que já havia e que requerem a tomada de medidas de fundo, nomeadamente de proteção de rendimentos de todo o setor, reforçando o apoio às paragens temporárias, a fixação de preços mínimos garantidos de primeira venda, de fixação de taxas máximas de lucro dos intermediários, com reflexo, também, no preço de compra dos consumidores.

Os comunistas defendem que para uma situação excepcional como esta tem de haver medidas e apoios excepcionais. “A pandemia veio acrescentar ainda mais dificuldades a um setor que já enfrentava muitas”, disse João Ferreira. “Por isso, na opinião do PCP, não é através do Fundo de Compensação Salarial que se devem desenvolver os apoios. Este é um instrumento dos pescadores que não pode ser descapitalizado sob pena de, no futuro, não conseguir responder às situações pelas quais ele foi criado. O Governo PS optou por este caminho, o PCP considera que deveria ser o Orçamento do Estado a responder às necessidades dos homens do mar”.

O PCP afirmou que a crise do setor não vai terminar quando passar o surto epidémico. Essa crise tem vindo a acentuar-se desde a entrada na então CEE e consequência das opções políticas de PS, PSD e CDS. “Há medidas urgentes a tomar como a renovação da frota e garantir rendimentos que superem a falta de mão de obra. Este é o caminho que tem de ser feito para criar condições de futuro para este setor estratégico”, conclui o eurodeputado, dizendo ainda que urge “intervir sobre os preços de primeira venda, fazendo com que estes subam e garantindo uma mais justa distribuição do valor”.