Festival Internacional de Música da Póvoa… e porque não também de Vila do Conde?

281

Sim! Porque não? Por egoísmo? Por ancestral atavismo parolo? Por confusão intencional? Ou tão só por ser um evento que já granjeou internacional prestigio, isso faz medo?

Este não pode, nem deve, ser mais ‘um Festival’, com epicentro na Póvoa. Exige-o o seu incontornável prestígio e qualidade. Aliás, porque incontornável, deve ser uma exigência, não só dos poderes públicos nacionais, mas sobretudo, locais, e principalmente do tecido empresarial, ligado ou não ao turismo.

Já lá vão 39 anos. Nascido e criado à sombra do Casino da Póvoa, o Festival de Música que por estes dias terminou, não conta agora com este concessionário da zona de jogo como seu apoiante, institucional ou de mecenato. E é pena. Assim como é pena, dá pena, não poder registar mais e melhor interesse dos responsáveis políticos e homens de negócios por este tipo de evento cultural. – A acção e interesse do Vereador Luís Diamantino, já por aqui o disse, um lutador, é o de ‘um Dom Quixote’. Felizmente.

Na verdade, sou dos que entende que um evento internacional desta natureza, pelo trabalho de realização que envolve, pelo prestígio internacional que atingiu, pela promoção turística que o enforma e transporta, devia ser um daqueles inadiáveis temas que já deviam ter merecido da parte dos autarcas da Póvoa e de Vila do Conde, contactos e passos dados numa organização conjunta. Estamos em 2017, o Poder Local já tem 40 anos de caminho feito em Liberdade. Os ‘velhos do Restelo’ que condicionaram vontades de trabalho político conjunto, em favor de muitas coisas que, se feitas para servir duas terras vizinhas, mais facilmente eram aceites por quem tem de gerir o Orçamento de Estado, esses ‘espécimes’ já morreram, já nem da memória da rua fazem parte. Essa separação, essas fronteiras, o que defendiam, não era ‘bairrismo’. Era ‘carrancismo’, serôdio, parolo e injustificado. Usavam-no, como hoje alguns usam a demagogia, o populismo, a ignorância. A defesa dos usos e costumes, o ‘bairrismo’ como dizem, não tem nada a ver com este tipo de comportamento isolacionista. Na era da globalização, em que o mundo está à distância de um clique, e a deslocação de pessoas a uma hora do centro da Europa, não vislumbrar isto, é crime de lesa pátria. Este foi o 39º. Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim. Um dos mais conceituados festivais de Música, assim, com letra grande, de Portugal. Porque é de Música, clássica, erudita, variada, com história e muita arte e mestria, na sua feitura, na sua escolha, na sua oferta, apresentação e representação. Música que é uma combinação de ritmo, harmonia e melodia, que os ouvidos agradecem. Onde os sons e os silêncios, agradáveis, transportam arte, quer pela voz, quer pelos instrumentos. E se a música é uma manifestação artística e cultural de um povo, é também um veículo, uma forma, de expressar os sentimentos. E o sentimento que fica, agora que cumprimos o ritual, o agradável ritual diga-se, de marcar presença em todas as ‘liturgias’ do Festival, é de agradecimento. Agradecimento ao organizador e director, Professor João Marques, um lutador e batalhador incansável, que há mais de quarenta anos esgrime argumentos, convence entidades privadas e públicas, oferece a alma, para salvar o espírito. A Póvoa de Varzim não pode sair do roteiro onde é possível desfrutar de momentos musicais do que de melhor existe a nível internacional. Obrigado Caro Amigo João. Um sincero e agradecido Obrigado, que mais não é que um público e merecido reconhecimento, que a Póvoa de Varzim te deve. Como no próximo ano se completam quarenta anos de vida do Festival, penso não cometer nenhuma blasfémia se disser que seria um acto de inadiável justiça, seres enaltecido no dia da cidade. Se a Póvoa nobremente reconheceu um dos seus mais activos ‘embaixadores’ em terras brasileiras, o já desaparecido, Amândio Rocha, e soube consagrar com público tributo o trabalho, diverso, intenso de divulgação de Armando Marques, porque espera?

Quem não devo esquecer de aqui também destacar, é a Emília Fernandes. O seu trabalho de Administração, Comunicação, Contabilidade e Secretariado, discreto, eficiente, só é ultrapassado pela simpatia que irradia. Obrigado Emília. Mas o Festival tem também muita mais gente, discreta, de uma simpatia nem sempre fácil de encontrar, a começar por aqueles que na porta nos recebem e das meninas que nos indicam os lugares. E também parabéns à Associação Pró-Música, pelas iniciativas que promove e gere.

Nota: por opção pessoal, o autor escreve de acordo com a antiga ortografia