Fogo? É o negócio estúpido!

360

Antes que a data oficial dos fogos fosse ‘solenemente’ aberta, ‘amigos dos bombeiros’, anteciparam o ‘mercado’. Desta vez a a zona centro de Portugal, foi o espaço escolhido. Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos, Góis, viram a sua pacatez de terras pequenas, cenário grandioso de tristeza, dor, sofrimento. Mas também de prova provada de incompetência e oportunismo político.

E, se a Dor, a Tristeza, o Sofrimento, a Vida Humana, não podem, nem devem, impedir que nos calemos, também o respeito pela representação da ‘coisa pública’, exige, impõem, que reclamemos perante tanta incompetência e criminalidade ‘institucionalizada’ por metro quadrado.

Já não é a primeira vez que aquelas ‘estrelinhas’, ditos ‘especialistas’, da Protecção Civil, mostraram que de ‘Autoridade’, a dita, apenas tem, e serve, para ‘golpes de gabinete’, e abocanhar umas mordomias. Um verdadeiro prémio à incompetência. Um monstro nado e criado à medida e sombra de negócios de todo o tipo, sempre com os ‘nossos valorosos Bombeiros Voluntários’ como manta protectora, fim altruísta e desculpa redentora. Alguns, foram, ou melhor, passaram pelo voluntariado nos bombeiros, mas já se esqueceram. O brilho das ‘estrelinhas’, faz esquecer depressa a distância do cheiro de terra a arder, e o conforto dos gabinetes, ‘moldam o voluntariado’ a coisa do passado, para curriculum. Ao passo apressado na resposta presente ao chamamento da sirene, preferem a serenidade do passo a passo entre ‘negócios de gabinete’. E os políticos, como se comportaram esses espécimes? Claro que se pode, e deve, pedir responsabilidade política. Mas só com muita ‘fé’, ela pode ser totalmente assacada à Senhora Ministra da Administração Interna. Ela apenas é vitima de uma herança deixada pelo ‘porreirismo’ nacional. Mas sobretudo pelo ‘lobby’ dos negócios do fogo. Negócios que não são só dos madeireiros, celuloses e afins. Quem lucra, quem tem mais lucrado com a venda de auto-bombas, mangueiras, extintores, fardamento, seguros, helicópteros, aviões, combustíveis, SIRESP, etc?

Por favor, poupem-nos com o uso e abuso da bondade e generosidade do voluntariado que ainda sustenta a maioria dos corpos de bombeiros. Eles, sim, os que dão o corpo ao manifesto, cumprindo ordens obscenas e incompetentes de muitas ‘estrelinhas’ nos ombros. Justificam os negócios, e servem de desculpa para muita incompetência a alta criminalidade.

O que se passou em Pedrogão e terras limítrofes, não foi um ‘fenómeno’ impensável. Foi a prova provada da falência da Autoridade, da Protecção Civil, dos ‘especialistas’ que temos deixado sejam criados, e sustentamos. Não! Não foi o ‘fogo divino’. É o nosso ‘olímpico espertismo’, em  lastro de bons negócios ligados a muitos fogos que ardem, sem que sejam apagados.

Não, não somos todos Portugueses. Não, não podemos ser. Uns são mais que outros.

Tínhamos já os tradicionais incêndios, como animação estival, mas que em Portugal, quando Deus quer, e os negócios o exigem, até no Inverno, e a chover, são cultura com produção garantida. É mais uma daquelas ‘originalidades’, ‘very tipical’ nacionais, que em  tempo de férias, neste quintal  português, o indígena autóctone, reclama como direito inalienável, e certa comunicação social, indispensável.

Os incêndios, que sob as suas mais diferentes e diversas formas e circunstâncias, por estes dias queimaram as árvores e bens um pouco por todo o país, pareciam centrais de combustão  em alta laboração. Um inferno poluente, que em vez de merecer repulsa das almas  que por aqui vivem, apenas mereceu lamurias tristes de comiseração, desculpas, e passa-culpas. O fogo, ou a época de fogos, é agora época largada, e que tem data inscrita no diário da republica. Tradução legal do negócio comercial, industrial e do nosso comportamento social. Pese embora o ‘puxar para cima’ do Presidente Marcelo, os fogos que por estes dias têm consumido enormes extensões dos nossos já parcos recursos florestais, nacionais e particulares, são uns dos bons exemplos, de como o pagode português suave, trata o que é sério e importante. Muitas e boas palavras. Cadeias de solidariedade que disfarçam a peculiar caridadezinha de ‘dar um peixe, me vez de ensinar a pescar’. Culpas para o S. Pedro, Santa Bárbara, o governo de serviço. Claro que é por estas alturas, que como cogumelos após as chuvas, brotam de geração espontânea os ditos ‘ambientalistas’, que tanto se podem apresentar como ‘amigos das palmeiras’, como ‘amigos do escaravelho, bicho da seda e coisas afins’. Papagaios, repetem a cartilha ensinada, entretêm as ‘massas’, lá debitam a lenga-lenga,  onde a prevenção e preservação do meio ambiental e florestal, são tópico obrigatório.

É um fogo cerrado de desculpas para muita incompetência e alta criminalidade.