Males que vêm por bem!…

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Num exercício de futurologia política, se é que neste mundo, e no tempo que vivemos, alguém de boa-fé pode dizer, ou predizer o que quer que seja, e sobre política é ousadia desmedida, é que o slogan de campanha de Aires Pereira, ‘Todos somos poveiros’, pela forma inteligente e ousada como o seu patrono o tem administrado e gerido, quer na política de distribuição camarária de pelouros, quer no relacionamento com a Oposição, pode bem acabar em premonição.

Claro que a vida política na Póvoa não se confina só ao que se passa Câmara, ou Assembleia Municipal. Aires Pereira, coisa diferente do PSD, sabe bem que, independente do ganhar ou perder votos na corrida eleitoral autárquica, a vida política partidária prossegue, ou no pior dos cenários, sobrevive. É dos livros, e da natureza das coisas, onde o bicho humano, ia dizer o homem, mas com esta coisa esquisita em voga da igualdade de género, como se isso fosse necessário para respeitar as mulheres, dizia, o ser humano é um animal político, e assim sendo, não deixará morrer o contraditório, a diferença. Nem que seja só para dizer o contrário, mal, ou por mera inveja. É da natureza humana. Os casos de estupidez genética, sendo de cultura orgânica familiar ou de grupo, como a urticária, causa prurido, incomodam, mas não são de modo a fazer mais que isso, irritar. E a política não pode, nem deve, ser uma questão de humores. Quanto muito, de amores.

Daí que politicamente, e partidariamente, a melhor prenda que o Partido Socialista da Póvoa, eterno parente pobre da distrital, que só muito remotamente podia aspirar melhorar o seu score eleitoral, podia receber, foi a vitória eleitoral de Aires Pereira. Aliás, é uma reciproca troca de prendas. Ganha Aires Pereira nos vereadores eleitos pelo Partido Socialista, dois bons políticos colaborantes, sensatos, generosos com a Póvoa, capazes de aportarem ideias e trabalho. Ganha o Partido Socialista da Póvoa, uma oportunidade, mais uma, de criar uma renovada estrutura partidária, moderna, empenhada e criativa, capaz de fazer política, da boa, envolvente e cativadora.

E com dois grandes partidos a puxarem pela coisa e interesse político/público, a restante concorrência partidária da Póvoa do Mar, se não andar distraída, e souber ler as ondas, sai também a ganhar. E como este mundo é feito de mudança…  mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Fica todavia a certeza de que haverá política feita por gente civilizada, onde a diferença não seja sinónimo de espúrio, e o adversário partidário não é um inimigo.

Afinal, podem ser todos poveiros, sem que uns o sejam mais que outros.