“Nova escalada do vírus está em cima da mesa mesmo com a vacina”

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A diretora-geral da saúde admitiu que o país pode voltar a enfrentar uma nova vaga da pandemia nos próximos meses, mesmo tendo em conta a vacinação em curso.

“Uma nova escalada do vírus está em cima da mesa, mesmo com a vacina”, disse Graça Freitas em entrevista à RTP3 na quarta-feira. “O vírus sofre mutações. Não estamos livres disso, apesar da vacina. E não sabemos quanto tempo vai durar a imunidade, se vai proteger contra novas variantes ou como vai funcionar a imunidade natural”.

Sobre o andamento da vacinação, admitiu que “o primeiro trimestre vai ficar aquém das expectativas”, devido à pouca disponibilidade de vacinas, mas mostrou esperança no cumprimento da meta de 70% da população do país vacinada até final de agosto.

Em relação ao desconfinamento das escolas, “a cautela aconselharia a que fosse uma abertura faseada, começando pelos graus de ensino com alunos mais novos”, embora tenha assinalado que não é uma decisão da sua responsabilidade.

Um ano de pandemia com “momentos” em que pensou em desistir
A pandemia já se instalou há um ano em Portugal, e Graça Freitas falou de um período “muito intenso” e “trágico”, durante o qual assumiu ter tido “momentos” em que pensou em desistir, A diretora-geral de saúde lamentou os “números açambarcadores” de mais de 16 mil mortos e 800 mil casos, sobretudo o drama vivido no último mês de janeiro, em que Portugal bateu máximos de óbitos e infeções.

“Aconteceu uma avalanche. Tínhamos uma nova variante a circular, que aumenta a velocidade de propagação, estávamos no inverno e tivemos temperaturas extremamente frias, mas não havia uma previsão com uma dimensão destas. O que esperaríamos era uma terceira onda um bocadinho maior do que a segunda. O rasto que deixou é devastador”.

Foto arquivo