O papel da nutrição no envelhecimento saudável – Opinião de Patrícia Martins

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O envelhecimento é um processo fisiológico e progressivo caracterizado por
modificações morfológicas, psicológicas, funcionais e bioquímicas que podem aumentar
o risco de défices nutricionais. Algumas das mudanças que podem ter implicações no
estado nutricional do idoso são: oscilações de apetite; alterações do paladar e olfato;
dificuldades de mastigação; perda de massa muscular e de massa óssea e diminuição da
sensação da sede.
A desnutrição no idoso, condição que deverá ser valorizada nesta idade, poderá
acentuar sinais da incapacidade física, morbilidade e mortalidade, comprometendo
assim, o bem-estar e a qualidade de vida. Esta condição chega a ser erradamente
confundida com sinais de envelhecimento “normal” e, daí a importância do seu
reconhecimento precoce para que a intervenção nutricional seja também célere no
processo.

Quais os benefícios da alimentação saudável?

Alimentar-se bem não significa “comer menos” ou focar apenas no que “não
pode comer” — é necessário encontrar um equilíbrio, sem esquecer que a alimentação
deverá ser apelativa e adaptada, além de nutritiva e variada.
A prática de uma alimentação saudável ajuda na redução do risco e no controlo
complicações crónicas, nomeadamente na diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doença
cardiovascular, obesidade, entre outros. Além disso, uma atitude preventiva através de
escolhas mais saudáveis, melhora a resposta do sistema imunitário, protegendo de
agentes invasores externos, reduzindo o risco de infeção e tornando assim o idoso
menos suscetível a doenças ao longo do tempo.
O consumo diário adequado de proteína e de cálcio, por sua vez, ajuda na
manutenção da massa magra e no fortalecimento dos ossos e articulações,
proporcionando uma redução do risco de fraturas e de quedas. Todos estes cuidados
terão enorme impacto na redução do risco de hospitalizações e irão favorecer um melhor
desenvolvimento de funções cerebrais, assim como a autonomia do idoso. Com o
avançar da idade, as necessidades nutricionais e hábitos alimentares sofrem alterações
e, portanto deverão ser alvo de valorização e otimização, por toda a rede de apoio.

10 RECOMENDAÇÕES-CHAVE:
1. Estabelecer uma rotina e realizar 5-6 refeições/ dia, com um intervalo máximo de 3
horas – pequeno-almoço; merenda da manhã; almoço; merenda da tarde; jantar;
ceia;
2. Limitar o consumo de sal a 5g/dia (utilizar ervas aromáticas e especiarias para temperar);
3. Incluir laticínios diariamente, preferencialmente com baixo teor de gordura;
4. Comer 2 a 3 peças de fruta diariamente;
5. Optar por cereais integrais (pão escuro, flocos de cereais integrais e baixo teor de açúcar)
6. Preferir carnes brancas e peixe;
7. Reduzir alimentos processados e ultraprocessados ricos em gordura e açúcar
(produtos de charcutaria, bolachas, bolos, etc.);
8. Preferir métodos de confeção saudáveis, deixando os fritos apenas para ocasiões
festivas);
9. Optar pela água como bebida preferencial – 8 copos/dia;
10. Vigiar o peso.
Sabia que a desidratação pode ter consequências graves na saúde?
 Estado de confusão, delírio e tonturas;
 Alterações de memória;
 Maior risco de quedas;
 Obstipação;
 Infeções urinárias;
 Insuficiência renal.

Em suma, os cuidados de saúde no idoso devem contemplar o estado nutricional
e rotinas alimentares inerentes, tendo em conta que estes poderão mitigar o impacto das
mudanças fisiológicas decorrentes do envelhecimento.

Artigo escrito por Patrícia Martins para a Associação de Solidariedade Social de Santa Cristina de Malta (SANCRIS).