Os agricultores não fogem às responsabilidades para com a natureza

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O radicalismo nestes últimos anos transformou o mundo fazendo com que motivações religiosas, raciais, políticas e agora vegans se tentem impor sobre a maioria generalizada da população mundial. As modas do veganismo e consequente luta contra tudo o que provem da origem animal fazem com que direitos conquistados com o 25 de Abril de 1974 sejam postos em causa, estando condicionados à ideia de alguns, que embora poucos, se façam ouvir apelando de uma forma populista ao sentimento dos direitos dos animais e ao ambiente em seu próprio favor, ou não tivéssemos um partido que tenta conquistar votos por essa via.

As notícias das últimas semanas têm insistido na penalização do setor mais frágil e menos protegido, pois é bonito e fica bem politicamente dizer bem ou mal conforme as suas convicções e interesses e castigar o setor pecuário. Assim, tem sido com as alterações climáticas onde vamos assistindo a inúmeras situações de ataque à produção bovina em que só se faz contas ao que se polui e não se faz contas ao que se contribui com as produções vegetais de culturas que ocupam os terrenos libertando oxigénio para a atmosfera e que desta forma ajuda para a neutralidade carbónica. Perante isto e contas feitas entre o que os animais poluem com a libertação de metano e o que as culturas despoluem com a libertação de O2 e a captação de CO2 da atmosfera o balanço não é tão negativo assim e até poderá ser positivo.

O mais fácil é fazer o que o Reitor da Universidade de Coimbra apontou, o de proibir o consumo de carne de bovino na universidade sem que fosse ordenado a realização de um estudo isento e credível sobre esse impacto.

Assim pergunto, se, proibiu também o uso dos automóveis pelos estudantes, ou estes não poluem?

A fixação das populações ao interior só se conseguem se houver algum rendimento que cative as pessoas como a produção de raças regionais “autóctones” que rapam os prados dos seus lameiros e previnem os incêndios, para além da enorme qualidade da carne desses animais podendo ser consideradas das melhores do mundo. Se por absurdo as vacas fossem proibidas no nosso concelho, ficariam quase de certeza os campos abandonados e a população exposta ao risco de incêndios como o de Pedrógão.

Hoje, assistimos a gente que perdeu as suas raízes com deslocalização para as cidades e que têm mais afeto pelos seus animais de estimação do que pelos seus familiares, e que querem condicionar a vida àqueles que têm a sua maneira própria de viver, com consumos diversificados de carne, peixe e vegetais, e com diversões que por tradição gostam.

Os agricultores obrigam-se a enormes regras ambientais e de bem-estar animal, estando conscientes de que podem sempre fazer mais, não fugindo às nossas responsabilidades para com a natureza, o ambiente e a alimentação das pessoas. Resta-nos apelar ao bom senso e à capacidade de compreensão.

José Moreira Campos, presidente da Coperativa da Póvoa

Nota: Na imagem, dados dos Estados Unidos que são muito semelhantes aos que se verificam em Portugal