Outubro aí à porta

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ABEL MAIA

A campanha para as legislativas começou a sério, com as atenções viradas para as entrevistas e debates televisivos. É, também, no pequeno ecrã que se discutem os votos dos indecisos e dos tendencialmente abstencionistas. Daí a importância que têm as prestações dos diversos líderes partidários na onda de vitória que se pode criar numa campanha. O ponto alto, até ao momento, há que convir, foi o debate entre António Costa e Passos Coelho. São eles que discutem o lugar de primeiro-ministro e é natural que estejam sob um maior escrutínio.

Preferências à parte – a minha é conhecida, sou mandatário em Vila do Conde de António Costa -, a maioria dos portugueses (e, já agora, dos comentadores) foi clara. António Costa esteve melhor, na forma, no conteúdo e nas mensagens de esperança para o futuro. Apresentou-se bem preparado, com um programa de contas feitas e com a experiência política bem-sucedida na Câmara de Lisboa como cartão-de-visita. Passos Coelho mais pesaroso e agarrado ao julgamento de um governo que acabou há quatro anos e que já foi julgado pelos portugueses, não conseguiu sair de um registo mais apático, teve dificuldade em explicar o incumprimento das promessas que o fizeram ganhar as eleições anteriores. Acabar com as gorduras do Estado, não aumentar impostos, não cortar salários e pensões, diminuir a divida, foram algumas das suas promessas e quatro anos depois é confrontado pelo seu antagonista e obviamente não conseguiu encontrar as explicações adequadas para o incumprimento. E, continua a dizer a culpa foi de Sócrates…forma simplista de ver o passado e superficial para justificar erros próprios.

O debate, não sendo decisivo, foi importante para António Costa, que arranca assim para a campanha eleitoral com um folgo que alguns duvidaram. Alguns outros defendem que não se discutiram os assuntos importantes. Pode-se sempre dizer que uma hora para partilhar entre os candidatos e os três jornalistas acaba por não permitir grande pormenorização, mas a realidade é o que é, e as condições foram iguais para ambos, sendo inquestionável que António Costa esteve de fato melhor. E vêm aí mais entrevistas, e mais debates para esclarecer os eleitores, pois será pedir muito a leitura do programa eleitoral. Os portugueses vão ter de decidir e pensar se não vale a pena dar condições de governabilidade ao próximo governo. Se valerá a pena fazer uma opção que propicie estabilidade política? Que garanta uma maioria qualificada? As sondagens têm dito que os portugueses estão pouco motivados para uma resposta positiva a estas perguntas. Muito trabalho pela frente para quem quer convencer os eleitores. É fundamental combater a abstenção. Também por isso a transmissão em simultâneo pelos três canais televisivos generalistas do debate foi uma novidade de aplaudir. Mais de três milhões de telespectadores viram o debate. Oxalá isso signifique menor abstenção.

A campanha ainda agora começou e espera-se que o esclarecimento, a ponderação e o interesse nacional sejam os vetores que norteiem à ação das diversas candidaturas. Só assim se levam os eleitores às mesas de voto.

Da minha parte, a escolha é simples.