A Eleição Presidencial – opinião de Mário Bettencourt Sardinha

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Antes do mais, gostaria de referir-me ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa que vai cessar funções, como sendo um político de eleição, competente, de inteligência e cultura rara, de grande visão, que sempre viu para além de …e, que ao seu espírito de missão, tudo emprestou. Ainda, muitos, vão ter saudades do seu consulado. Sempre o entendi… 

No próximo dia 8 de Fevereiro,  dar-se-á o início a um novo ciclo para a Presidência da República, com uma 2ª. volta das eleições, à distância de quatro décadas de outras a que também se teve de recorrer, que tiveram como protagonistas os grandes Mário Soares e Freitas do Amaral, numa altura em que se fazia e vivia a política intensamente e, que tive a oportunidade de a comentar na noite eleitoral, juntamente com o jornalista Pedro Cid , na rádio Onda Viva. 

Ora, como nas eleições do dia 18 não houve uma maioria absoluta, os dois primeiros, António José Seguro e André Ventura irão confrontar-se naquela disputa de segunda volta. Cotrim de Figueiredo fez uma boa e hábil campanha, tentando, mesmo, dar um passo maior que a perna. Os também favoritos, com inúmeras qualidades, Gouveia e Melo e Marques Mendes que ficaram em quarto e quinto lugar, fizeram uma campanha fraca. Ao independente faltou posicionamento e postura de político e, ao social-democrata quase tudo que lhe conheço, eu diria: teve um apagão. É verdade, que Marques Mendes teve ataques – o que em política é normal – mas todos facilmente ilidíveis, porque tinha na sua disponibilidade bons, sólidos, válidos e convincentes argumentos para contrapor e, como que anestesiado, nunca retorquiu, sempre se abaixando…. Faltou-lhe ânimo, talvez por falta do devido apoio, talvez por falta da máquina dos velhos e bons tempos, talvez por falta de mobilização. É inquestionável e, independentemente de tudo, que também pagou as “favas” duma governação que não tem sido feliz, “máxime” na saúde. 

Logo na noite das eleições, percebeu-se como seria o “tom” da 2ª. volta. Seguro que fez uma “travessia” de dez anos, surge com muita esperança e, disse que iria prosseguir o caminho que tinha feito até ali, mantendo-se como suprapartidário, identificando-se novamente como um socialista na vertente social-democrata, como um verdadeiro democrata, como um humanista com princípios e valores de que nunca abdicaria. Igualmente surge como competente, experiente, sério, integro, sóbrio, plural e agregador, vincando que defenderia o equilíbrio e a estabilidade do Pais e, também, que sempre salvaguardaria os interesses dos Portugueses e, que nunca seria um obstáculo ao Governo. André Ventura, por outro lado, percebeu-se, que iria acrescentar à sua cassete que sempre tem utilizado no seu estilo de populista, de manipulador, trampolineiro e provocador, que dá para tudo e para todas as eleições, as pensões vitalícias públicas e que a luta será entre o socialismo e o não socialismo, querendo dar a ideia que Seguro era um perigoso socialista. Naturalmente, continuou a agitar a sua “bandeira” da ética na política, a corrupção, a imigração. Propositadamente mistura tudo, matérias que são da competência do poder executivo, do Governo, com as do Presidente da República para confundir e convencer os vulneráveis, os desiludidos dos partidos tradicionais, dos que não se revêm no sistema, dos deserdados da vida que muito lamentavelmente têm sido “abandonados” pelos governos de um Portugal, onde ainda há muitos desequilíbrios, que os levam a ter voto de protesto. Ambos continuam a fazer campanha, com Seguro a acrescentar em conversas com os “sábios” da saúde, da segurança e da defesa…a somar apoios e, Ventura a falar da herança do socialismo e, da cassete.  

Enquanto António José Seguro representa a moderação, a estabilidade, a democracia, André Ventura representa o extremismo, o caminho perigoso para a autocracia. Há um abismo, entre ambos, na competência, no conhecimento, na experiência, no civismo, na forma de ser e estar…, nos requisitos que deve ter um Presidente da República, o que tem sido “espelhado” nas boas sondagens que o socialista tem tido. 

Estas Eleições realizam-se num momento de incerteza geopolítica, em que as relações na Ordem Internacional jamais serão como dantes, em que os ambiciosos, narcisistas perigosos Putin e, sobretudo o catavento Donald Trump querem ficar na História, a que se junta Xi Jinping cada um a querer ficar com a sua liderança. É de referir, também, que a velha aliança e solidariedade entre os E.U.A e o Velho Continente é para esquecer…, obrigando-se a Europa a um novo rumo, sobretudo na segurança e na defesa, o que poderá conduzir a novas solidariedades ou, mesmo, a uma Federação. Toda essa situação, reforça a importância destas eleições.  

É nesse quadro muito complexo e perigoso, que os Portugueses irão escolher o seu novo Presidente República, que deverá ser um árbitro, um moderador, contribuir para a estabilidade e, que terá também o seu muito importante poder de Magistratura de Influência junto do Governo e, igualmente assumirá os Poderes, Responsabilidades e Competências associadas à sua função, como é o de ser Comandante Supremo das Forças Armadas, de ratificar os tratados internacionais, de vetar e promulgar leis…