Com raízes que remontam a 1984 e uma refundação formal em 2002, a empresa Alexandrina & Lino, Lda., sediada em Aguçadoura, afirma-se como um dos pilares de apoio ao setor agrícola na região Norte. Dedicada à comercialização de produtos fitofarmacêuticos, adubos e matérias orgânicas, a empresa representa hoje a continuidade de um projeto familiar que alia experiência e inovação.
Manuel Morim Lino, de 70 anos, é o rosto fundador desta casa. Filho de agricultores,
cresceu profundamente ligado à terra, acumulando conhecimento prático e técnico que
viria a orientar o seu percurso profissional. “Sempre gostei desta área e já tinha muito conhecimento da agricultura. Foi natural criar um negócio que servisse diretamente os produtores”, explica.
Inicialmente ligada ao nome de Maria Alexandrina Carvalho, sua esposa, a atividade
começou em nome individual antes de evoluir para sociedade em 2002. Desde então, a Alexandrina & Lino tem vindo a expandir a sua atuação, acompanhando a evolução do setor agrícola e adaptando-se às exigências do mercado.
A empresa oferece uma vasta gama de produtos, desde a chamada “farmácia agrícola”,
produtos destinados ao tratamento de doenças das plantas, até fertilizantes e soluções nutricionais. “Tal como na saúde humana, temos os medicamentos para tratar e os ‘alimentos’ para fortalecer. O objetivo é sempre o mesmo: garantir plantas saudáveis e produtivas”, sublinha Manuel Lino.
Com uma forte componente de distribuição, a empresa trabalha com marcas nacionais e
internacionais, oferecendo múltiplas soluções aos agricultores. O seu alcance vai além da Póvoa de Varzim, estendendo-se a várias regiões do Norte, Espanha e até aos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
“Mercado muito exigente”. Para o empresário, a agricultura atual exige cada vez mais profissionalismo. “Quem não se modernizou ficou para trás. Hoje, o produtor tem de investir, produzir com qualidade e cumprir requisitos rigorosos. O mercado é muito exigente”, afirma. A certificação, o controlo de resíduos e a rastreabilidade são fatores determinantes para garantir o acesso aos circuitos comerciais, sobretudo às grandes
superfícies.
Esse caminho de futuro está agora a ser trilhado pela segunda geração. Ana Luísa Lino,
engenheira agrónoma com mestrado e formação complementar em gestão de empresas, assumiu funções a tempo inteiro em 2020, após concluir os estudos. Embora tenha crescido no negócio familiar, foi necessário um processo de adaptação. “Não foi imediato, mas hoje sinto-me realizada. Trago uma visão mais inovadora e procuro melhorar continuamente o funcionamento da empresa”, refere.
A jovem gestora reconhece a responsabilidade de dar continuidade ao projeto, mas encara-a como um desafio motivador. “É gratificante poder aplicar o conhecimento académico e
contribuir para a evolução da empresa, sobretudo no apoio técnico ao cliente”, explica.
Ambos destacam ainda a importância da formação contínua, tanto para a equipa como
para os agricultores. A empresa promove regularmente ações informativas com parceiros
internacionais, apresentando novos produtos, técnicas e exigências legais. “A agricultura está em constante mudança. Quem não se atualiza fica rapidamente desfasado”, alerta Manuel Lino.
Num contexto em que persistem algumas dúvidas por parte dos consumidores, Ana Luísa deixa uma mensagem clara: “A agricultura profissional é hoje altamente controlada. Existe a ideia de que usar produtos significa menor segurança, mas é precisamente o contrário.
Quem segue as regras produz com qualidade e segurança”. A conclusão é consensual entre pai e filha: consumir produtos hortícolas da Póvoa de Varzim é seguro e de elevada qualidade, resulta todo rigor e profissionalismo dos agricultor.
HORPOZIM: parceiro essencial para valorizar a agricultura. A HORPOZIM – Associação Empresarial Hortícola da Póvoa de Varzim desempenha um papel central no desenvolvimento e valorização da agricultura local, sendo considerada um parceiro estratégico por empresas e produtores da região.
Para Manuel Lino, a atuação da associação é fundamental, sobretudo no apoio aos agricultores em matérias como custos de produção, acesso a apoios e dinamização do setor. “A HORPOZIM move-se bem junto da agricultura e tem sido importante na defesa dos interesses dos produtores”, afirma.
Entre as iniciativas mais relevantes destaca-se a valorização de produtos locais com certificação de origem, como o ‘tomate ‘Coração de Boi’ e a ‘penca da Póvoa’, promovidos como produtos de denominação de origem protegida (DOP). Este reconhecimento contribui
para aumentar o valor de mercado e reforçar a identidade agrícola da região.
Além disso, a associação aposta na divulgação e promoção dos produtos junto dos consumidores, ajudando a criar confiança e reconhecimento. “Se o consumidor não conhece, não consome. É essencial mostrar a qualidade do que se produz aqui”, sublinha Ana Luísa.
A região litoral da Póvoa de Varzim beneficia de condições naturais únicas, com solos férteis e um clima ameno, ideais para a produção hortícola. Aliado a isso, existe hoje um conjunto de agricultores altamente qualificados e profissionalizados.
“Há muito rigor e controlo. Os produtos são analisados, cumprem todas as
normas e apresentam níveis mínimos ou nulos de resíduos. Isso garante segurança alimentar e qualidade”, reforça Manuel Lino.
Neste contexto, a HORPOZIM assume-se como um elo agregador, promovendo não só a competitividade do setor, mas também a confiança dos consumidores nos produtos locais, contribuindo para uma agricultura mais sustentável, moderna e valorizada.


