“As ocupações incluem atividades que as pessoas precisam, querem e se espera que façam” (WFOT, 2012a, p. 2), sendo que o envolvimento nestas é priorizado de forma diferente dependendo das fases e momentos da vida e também entre pessoas.
O envelhecimento não é apenas o passar do tempo ou um aumento da idade, é um processo onde ocorrem mudanças físicas, psicológicas e sociais e altera o envolvimento das pessoas nas ocupações. A Terapia Ocupacional (TO) procura responder a estas mudanças promovendo participação, autonomia, dignidade e qualidade de vida.
Para isso, é necessária uma adaptação ocupacional, ou seja, uma reestruturação da identidade ocupacional (quem somos e o que queremos). Esta permite que a pessoa continue a participar na vida de forma significativa.
A TO facilita essa adaptação através de: promoção de novas oportunidades de participação; aconselhamento e treino de produtos de apoio; estimulação cognitiva, sensorial e manter competências motoras e psicossociais; eliminação ou redução de barreiras; adaptações no ambiente; construção de novos hábitos e rotinas; desenvolvimento de estratégias que aumentam a segurança e a autonomia.
Conhecer e valorizar as necessidades, interesses e experiências é o ponto de partida para uma intervenção centrada na pessoa. Com o envelhecimento há uma alteração da volição (motivação para a ocupação) da pessoa, dos papéis que esta desempenha e da sua capacidade de desempenho. Estas alterações têm um impacto direto na pessoa, havendo uma mudança de interesses e valores. O papel da TO é ajudar a pessoa idosa a compreender o que é importante e tem significado para si, neste momento. Só a pessoa, com ajuda do terapeuta, pode identificar as ocupações que dão sentido à sua vida e selecionar os objetivos e prioridades que são importantes para si. Desta forma, promove-se o envolvimento ativo da pessoa na sua própria intervenção.
Por isso, a pessoa idosa deve ser reconhecida como alguém que continua a ter gostos, preferências e capacidade de escolha, mesmo perante limitações relacionadas com o envelhecimento.
Assim, continuar a definir objetivos realistas e significativos permite um envelhecimento bem-sucedido e que a pessoa idosa mantenha um sentido de propósito, reforçando autoestima, autonomia e qualidade de vida.
A Terapia Ocupacional no envelhecimento não se centra apenas nas limitações, mas na continuidade da vida com significado. Valoriza o idoso como pessoa capaz de escolher, decidir e participar. Ao compreender o que é importante para cada indivíduo e ao apoiar a adaptação às mudanças, a Terapia Ocupacional contribui para um envelhecimento digno e satisfatório.



