Quinta-feira, Setembro 17, 2026

Hospital da Luz: Centro de Neurociências reforça cuidados no acompanhamento de doentes

O Hospital da Luz Póvoa de Varzim deu um novo passo na diferenciação dos seus cuidados de saúde com a criação do Centro de Neurociências, unidade recentemente inaugurada e que reúne, num único espaço, várias especialidades dedicadas ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento das doenças do sistema nervoso.

Localizado no oitavo piso da unidade hospitalar, o novo centro entrou em funcionamento em julho e pretende oferecer uma resposta mais integrada e célere aos doentes que procuram cuidados nas áreas da neurologia, neurocirurgia, psiquiatria, psicologia e terapias de reabilitação.

Segundo o neurologista Dr. Pedro Beleza, um dos profissionais que integra a equipa, a principal mais-valia da nova estrutura passa pela concentração de especialistas e meios complementares de diagnóstico no mesmo local. “Estamos a falar de uma única equipa de profissionais diferenciados da área das neurociências, sejam neurologistas, psiquiatras ou outros técnicos especializados, todos focados na saúde do doente. A grande vantagem é a possibilidade de coordenação entre os vários especialistas, permitindo um diagnóstico mais rápido, mais preciso e o início mais precoce do tratamento”, explica.

Um espaço, várias especialidades. O Centro de Neurociências foi concebido para funcionar como uma resposta multidisciplinar às patologias neurológicas e neuropsiquiátricas. Além dos médicos especialistas, a equipa integra profissionais de psicologia, terapia da fala e terapia ocupacional, permitindo uma abordagem global aos problemas apresentados pelos pacientes.

Na prática, o percurso do doente passa habitualmente por uma primeira consulta de neurologia, neurocirurgia ou psiquiatria. A partir daí são solicitados os exames necessários para confirmar o diagnóstico e definir o plano terapêutico mais adequado.

A proximidade entre os profissionais facilita a troca de informação clínica e evita a dispersão de consultas por diferentes locais, um fator que, segundo Pedro Beleza, faz toda a diferença. “O objetivo é que exista uma linha de raciocínio única para cada doente. Quando os cuidados estão dispersos por vários especialistas sem articulação, a informação pode perder-se. Aqui existe continuidade, coordenação e um plano integrado”, refere.

Diagnósticos mais rápidos. Entre os principais benefícios do novo centro está a maior rapidez no acesso aos exames de neurofisiologia realizados na própria unidade. O Hospital disponibiliza exames como o eletroencefalograma e a eletromiografia, fundamentais para o diagnóstico de diversas doenças neurológicas.

Em algumas situações específicas, como na investigação de suspeitas de epilepsia, o hospital oferece ainda a possibilidade de realizar eletroencefalogramas, com duração até quatro horas, o que permite uma análise mais detalhada em casos complexos.

“Há situações em que precisamos distinguir se determinados episódios correspondem efetivamente a crises epiléticas ou a outras condições. Nestes casos, os exames mais prolongados podem ser decisivos para chegar ao diagnóstico correto”, explica o neurologista.

Dores de cabeça lideram consultas. Na atividade clínica diária, as cefaleias continuam a ser o principal motivo de procura da consulta de neurologia. Segundo o Dr. Pedro Beleza, as dores de cabeça, incluindo as enxaquecas, representam a situação mais frequente observada na especialidade. Logo a seguir surgem as queixas relacionadas com tonturas e vertigens, seguidas por alterações da memória e problemas do sono. “As cefaleias são claramente a situação mais prevalente. Depois aparecem as tonturas, as alterações cognitivas e, por último, os distúrbios do sono”, resume.

O especialista sublinha ainda o impacto das doenças neurológicas na qualidade de vida da população. Entre elas, a enxaqueca assume um papel particularmente relevante. “A enxaqueca é atualmente uma das principais causas de incapacidade. Muitas vezes existe a ideia de que se trata apenas de uma dor de cabeça, mas estamos a falar de uma doença que pode limitar significativamente a vida pessoal e profissional de quem sofre com ela.”

Mais opções terapêuticas. A evolução científica tem permitido o aparecimento de novas soluções terapêuticas para várias doenças neurológicas, uma realidade acompanhada de perto pelo Hospital da Luz.

No caso das enxaquecas crónicas, por exemplo, surgiram recentemente novos medicamentos preventivos dirigidos aos doentes que apresentam crises frequentes e incapacitantes.

“Tem havido avanços muito significativos nos últimos anos. Hoje existem tratamentos que permitem melhorar substancialmente a qualidade de vida de doentes que anteriormente tinham poucas opções terapêuticas”, afirmou o Dr. Pedro Beleza.

Já noutras patologias, como a doença de Parkinson ou os o tremor essencial, os tratamentos continuam a ser sobretudo sintomáticos, procurando controlar os sintomas e preservar a autonomia dos doentes durante o maior tempo possível. Nas demências, incluindo a doença de Alzheimer, o especialista reconhece que os desafios continuam a ser grandes, embora exista intensa investigação científica nesta área.

Prevenção passa pelo cérebro ativo. Embora não exista uma forma garantida de prevenir doenças neurodegenerativas, os especialistas defendem a adoção de hábitos que ajudem a proteger a saúde cerebral ao longo da vida.

O Dr. Pedro Beleza destaca três pilares fundamentais: atividade cognitiva, exercício físico e participação social. “O ideal é manter o cérebro ativo diariamente, através da leitura, escrita, jogos ou outras atividades intelectuais. A isto junta-se a prática regular de exercício físico e uma vida social ativa”, explica.

Segundo o neurologista, estes hábitos não eliminam o risco de doença, mas podem contribuir para retardar o aparecimento de sintomas e preservar funções cognitivas durante mais tempo.

Resposta integrada. Com a criação do Centro de Neurociências, o Hospital da Luz Póvoa de Varzim reforça a sua oferta assistencial numa área cada vez mais relevante para a sociedade, marcada pelo envelhecimento da população e pelo aumento da incidência das doenças neurológicas.

A aposta passa por oferecer uma resposta integrada, reunindo especialistas, exames e terapias complementares no mesmo espaço, o que permite diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais precoces e um acompanhamento mais próximo dos doentes.

“O mais importante é garantir que o doente tem acesso, no mesmo local, aos profissionais e aos meios necessários para receber a melhor resposta possível. É essa a missão deste Centro de Neurociências”, refere o Dr. Pedro Beleza.

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