Operação Páscoa 2026: 20 mortos nas estradas portuguesas apesar do reforço da fiscalização

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A Operação “Páscoa 2026”, levada a cabo pela Guarda Nacional Republicana (GNR) e pela Polícia de Segurança Pública (PSP), terminou às 23h59 de segunda‑feira com um balanço preocupante na sinistralidade rodoviária em Portugal. Entre os dias 2 e 6 de abril, registaram‑se 2.602 acidentes, que provocaram 20 mortes, 53 feridos graves e 845 feridos leves, dados divulgados pelo Ministério da Administração Interna.

Durante os cinco dias da operação, a GNR fiscalizou 34.305 condutores, tendo detido 317 pessoas por condução sob o efeito do álcool, com uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 g/l. Foram ainda detidas 111 pessoas por condução sem habilitação legal.

Da fiscalização resultaram 5.750 contraordenações, com destaque para: 2.390 infrações por excesso de velocidade; 1.042 por falta de inspeção periódica obrigatória; 240 por ausência de seguro de responsabilidade civil obrigatório; 190 por falta ou incorreta utilização do cinto de segurança e/ou sistemas de retenção para crianças; 183 por condução sob o efeito do álcool e 182 por uso indevido do telemóvel durante a condução.

No que diz respeito à sinistralidade registada exclusivamente pela GNR, foram contabilizados 941 acidentes, que resultaram em 14 vítimas mortais, 31 feridos graves e 266 feridos leves. Estes números contribuem para o balanço global agora divulgado pelo MAI, que considera também os acidentes registados em área de responsabilidade da PSP, elevando o total de mortes para 20.

Em comunicado, o Ministério da Administração Interna endereça “sentidas condolências às famílias enlutadas”, sublinhando que os dados da Operação Páscoa 2026 são encarados com “profunda preocupação e consternação”. “Cada vida perdida nas estradas representa uma tragédia pessoal e uma família destruída. Nenhuma morte na estrada é aceitável”, lê‑se na nota, que chama também a atenção para os feridos que ficarão com sequelas físicas e psicológicas permanentes.

Perante este cenário, o MAI defende que é tempo de refletir e agir, anunciando a preparação de um pacote de medidas estratégicas, a médio e longo prazo, bem como outras de aplicação imediata, destinadas a influenciar diretamente o comportamento dos condutores e a criar “um ambiente rodoviário seguro”.

Apesar do reforço da fiscalização e das campanhas de sensibilização, o Governo reconhece que persistem comportamentos de risco, nomeadamente a condução sob o efeito do álcool, o excesso de velocidade e o uso indevido do telemóvel ao volante, fatores que continuam a estar na origem de muitos acidentes graves.

O MAI sublinha que a segurança rodoviária não é uma responsabilidade isolada, exigindo um compromisso conjunto do Estado, das autarquias, das entidades públicas e privadas e de cada cidadão. “Cumprir as regras, respeitar os outros utilizadores da via pública e adotar uma condução prudente são comportamentos indispensáveis. Nenhuma viagem vale uma vida”, conclui o comunicado.