Ana Caldeira, advogada poveira, até agora vice-presidente do Conselho de Jurisdição do Chega e assessora jurídica do grupo parlamentar do mesmo partido, está a ser julgada pelos crimes de burla qualificada e falsificação de documentos, avançou a SIC. A concelhia poveira do Chega, na figura da líder Sónia Vieira de Carvalho, diz que é “uma cabala”.
Em declarações ao MAIS/Semanário, a dirigente afirma ter provas de como as acusações não são baseadas em verdade e constituem “uma cabala do pior”. Acrescenta, ainda Sónia Vieira, que apesar “de estar disponível para testemunhar junto da polícia, e apresentar as provas, não me quiseram ouvir”. A presidente do Chega da Póvoa de Varzim, afirmou ao MAIS/Semanário que “a seu tempo, a Ana provará a sua inocência” e vinca também “que vivemos tempos em que a palavra de alguns pode destruir a verdade de muitos. Não podemos permitir que a injustiça e a calúnia prevaleçam.
A noticia tornada pública, na quinta-feira, de acordo com o despacho de acusação do Ministério Público, a que a SIC teve acesso, a advogada terá dito, em março de 2022, a um ex-sócio que uma cliente sua estava a precisar de seis mil euros com urgência, e garantiu que este receberia em meio ano os seis mil de volta mais quatro mil de juros.
O acordo foi firmado através de um contrato de confissão de dívida e de um termo de autenticação, assinados pelo ex-sócio e pela cliente de Ana Caldeira, indica a SIC. Ambos os documentos foram registados no portal da Ordem dos Advogados. Contudo, diz o despacho, a alegada cliente tinha falecido a “27 de março de 2015”.
O Ministério Público diz que Ana Caldeira terá falsificado a assinatura de Maria Amélia Martins, a alegada cliente, “com o objetivo de fazer sua a quantia de seis mil euros”. A dirigente terá devolvido essa quantia ao antigo sócio, mas não a quantia dos juros prometidos.
Questionado pelos jornalistas à margem de uma visita à esquadra da PSP da Parede, em Cascais, ainda na quinta-feira, André Ventura disse não ter conhecimento do caso, mas admitiu consequências. Entretanto, já nesta sexta-feira, Ana Caldeira demitiu-se do cargo, como também foi exonerada de todas as funções que detinha no partido, avançou a SIC.