Rede de prostituição ligada a Vila do Conde leva 7 arguidos a julgamento

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O julgamento dos sete arguidos acusados de explorar mulheres num bar de Vila do Conde, Club 80, prossegue na quarta-feira, 21 de janeiro, depois de uma primeira sessão marcada pelo silêncio de todos os envolvidos. O processo, que começou esta quarta‑feira em Matosinhos, remonta a 2015 e envolve 116 mulheres identificadas no estabelecimento, 37 delas em situação irregular no país.

A acusação sustenta que o bar vilacondense funcionava como centro de uma operação que recrutava sobretudo mulheres sul‑americanas em situação de vulnerabilidade económica, garantindo-lhes alojamento e transporte para o local. As autoridades descrevem um esquema que tirava partido da precariedade e isolamento das vítimas para assegurar a continuidade da atividade.

Durante a investigação, foram realizadas várias fiscalizações ao bar entre 2017 e 2019, que permitiram localizar dezenas de mulheres e reforçar as suspeitas de lenocínio, auxílio à imigração ilegal e branqueamento de capitais. Na casa do principal arguido, Rui Sousa, residente em Vila do Conde, foram apreendidos mais de 550 mil euros e outros bens associados ao negócio.

O Ministério Público acredita que os arguidos beneficiavam financeiramente da exploração das mulheres, através de percentagens cobradas sobre serviços prestados no estabelecimento. A empresa proprietária do bar também responde no processo.

A próxima sessão, já agendada, deverá continuar a clarificar o papel de cada arguido numa rede que colocou Vila do Conde no centro de um dos casos mais relevantes da região relacionados com exploração sexual.