No último fim de semana de julho, Aguçadoura vive um dos momentos mais belos, intensos e emblemáticos do seu calendário anual: as Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem. São dias em que a Vila ganha uma vida especial, as ruas se revestem de cor, de música e de luz, os reencontros multiplicam-se e a fé manifesta-se de forma particularmente viva. São dias em que o coração da Comunidade bate mais forte e em que a identidade de um povo se revela com toda a sua beleza.
Como Pároco desta Paróquia, tenho a alegria de testemunhar a forma extraordinária como estas festividades conseguem unir duas dimensões que, por vezes, alguns insistem em separar: a dimensão lúdica e a dimensão religiosa. Em Aguçadoura, elas caminham lado a lado, sem conflitos nem rivalidades, como duas irmãs que se entendem perfeitamente.
Aliás, atrevo-me a dizer que, se Aristóteles tivesse passado por Aguçadoura no último fim de semana de julho, talvez tivesse acrescentado um capítulo à sua obra sobre a felicidade. Entre uma Procissão Solene e uma conversa animada entre amigos, encontraria certamente matéria suficiente para refletir sobre a arte de viver bem. Afinal, o filósofo grego ensinava que a felicidade não se encontra apenas nos grandes feitos, mas também na capacidade de cultivar a amizade, a virtude e a vida em comunidade.
Este artigo foi escrito pelo pároco de Aguçadoura, padre Paulo Sérgio, e faz parte de um artigo publicado da edição de 8 de julho no jornal MAIS/Semanário, que pode ler na íntegra na edição papel ou na edição digital (PDF).


