O espetáculo audiovisual Supplica, criado pelo poveiro Helder Luís, chega esta sexta‑feira ao pátio do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, às 21h30. A obra revisita a tragédia marítima de 1892, episódio que marcou de forma profunda as comunidades piscatórias da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde, ainda hoje lembrado como uma das maiores perdas coletivas da região.
Na tarde de 27 de fevereiro de 1892, uma tempestade inesperada varreu o litoral norte entre Aveiro e a Galiza, ceifando 105 vidas — sobretudo pescadores da Póvoa de Varzim e da Afurada. O impacto foi devastador: famílias inteiras ficaram em luto, as festas populares perderam cor e o mar transformou‑se num símbolo de ausência. A tragédia levou à criação do Instituto de Socorros a Náufragos, fundado pela Rainha D. Amélia, numa tentativa de proteger quem vivia do mar.
Foi a partir desta memória que Helder Luís construiu Súplica, estreado em fevereiro na Igreja da Lapa, na Póvoa de Varzim. A criação parte da dor coletiva que marcou as comunidades piscatórias e procura transformar esse legado num gesto artístico que devolve voz aos que o mar levou e aos que ficaram em terra.
Com apoio da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim e da Mútua dos Pescadores, o espetáculo combina música, imagem e palavra para recriar, de forma sensorial, os momentos que antecederam o naufrágio e as marcas deixadas na comunidade poveira. Estruturado em sete capítulos, a obra traz ao presente uma história que continua a definir a identidade marítima da região.


