Nos últimos anos temos assistido a um envelhecimento progressivo da população e ao aumento da esperança média de vida. Vivemos mais anos, mas muitas vezes esses anos são acompanhados por doenças crónicas, limitações físicas ou cognitivas que tornam necessária a ajuda de outra pessoa.
Na maioria das situações, essa ajuda é prestada por filhos, cônjuges, irmãos, familiares ou até amigos que, diariamente, prestam cuidados a alguém que deles depende, quase sempre de forma discreta e sem reconhecimento.
Este papel pode ter consequências significativas para o cuidador. É comum surgir cansaço persistente, dores musculares, perturbações do sono, ansiedade, tristeza e sentimentos de solidão. Muitos cuidadores reduzem ou abandonam a sua atividade profissional, diminuem os momentos de convívio social e deixam de cuidar da sua própria saúde. Esta sobrecarga, quando prolongada, pode conduzir ao chamado “Desgaste do cuidador” comprometendo o bem-estar de toda a família.
Segundo um estudo realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade de Lisboa, existem cerca de 827 000 cuidadores informais em 2023, no entanto apenas 17 796 tinham o Estatuto do Cuidador Informal em julho de 2025, evidenciando que muitos cuidadores continuam sem reconhecimento formal e sem acesso às medidas de apoio previstas pela lei.
O reconhecimento do estatuto do Cuidador Informal prevê o acesso a várias medidas de apoio, como formação para a prestação de cuidados, acompanhamento pelas equipas de saúde, apoio psicológico, períodos de descanso do cuidador e, em determinadas situações, um apoio financeiro.
Procurar informação junto dos profissionais de saúde, da Segurança Social ou das instituições da comunidade pode fazer toda a diferença, permitindo conhecer os apoios existentes.
Entre esses apoios, o Serviço de Apoio Domiciliário ou de Centro de Dia constituem um importante apoio para muitas famílias. Ao proporcionarem acompanhamento, alimentação, atividades de estimulação e convívio à pessoa idosa durante o dia, permitem ao cuidador informal dispor de algum tempo para trabalhar, tratar da sua saúde, resolver assuntos pessoais ou simplesmente descansar.
Os cuidadores informais são um exemplo silencioso de dedicação e de amor. Merecem o nosso reconhecimento, mas merecem, acima de tudo, sentir que não estão sozinhos. Porque cuidar de quem cuida é uma responsabilidade de todos nós.
Artigo escrito por Joana Dourado, Enfermeira e amiga da Associação De Solidariedade Social de Santa Cristina de Malta (SANCRIS).


