Tecnologia e inclusão digital: aproximação ou isolamento na terceira idade?

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Vivemos numa sociedade cada vez mais tecnológica. Atualmente, muitas tarefas do dia a dia dependem da utilização da Internet: marcar consultas médicas, realizar operações bancárias, comunicar com familiares, aceder a serviços públicos ou simplesmente procurar informação. No entanto, nem todas as pessoas acompanham esta evolução ao mesmo ritmo. Entre os idosos, a falta de conhecimentos digitais pode contribuir para uma nova forma de exclusão e isolamento. 

A exclusão digital não significa apenas não saber utilizar um computador ou um telemóvel. Muitas vezes, significa depender de outras pessoas para realizar tarefas básicas e sentir dificuldade em participar plenamente na sociedade. Quando os serviços se tornam quase exclusivamente digitais, quem não possui competências tecnológicas pode sentir-se afastado, frustrado ou até incapaz. Assim, a desigualdade no acesso à tecnologia pode aumentar o isolamento social dos mais velhos. 

Por outro lado, a tecnologia também pode ser uma importante ferramenta de aproximação. As videochamadas permitem que avós e netos mantenham contacto, mesmo quando vivem longe. As redes sociais facilitam a comunicação com amigos e familiares, enquanto as aplicações podem ajudar a combater a solidão, proporcionando entretenimento, informação e novas oportunidades de aprendizagem. Para muitos idosos, aprender a utilizar estas ferramentas representa uma forma de conquistar maior autonomia e confiança. 

É importante lembrar que nunca é tarde para aprender. A idade não deve ser vista como um obstáculo à aprendizagem, mas sim como uma fase em que novas competências podem melhorar a qualidade de vida. No entanto, é necessário que o ensino da tecnologia seja adaptado às necessidades da terceira idade. A aprendizagem deve ser feita com paciência, linguagem simples e acompanhamento adequado. Pequenos gestos, como ensinar um familiar a enviar uma mensagem ou a fazer uma videochamada, podem fazer uma grande diferença. 

Além disso, a inclusão digital não deve significar obrigar todos os idosos a utilizar a tecnologia. É essencial respeitar as suas escolhas e manter alternativas presenciais e acessíveis. A digitalização dos serviços não pode deixar para trás quem tem mais dificuldades. A tecnologia deve servir as pessoas e não criar novas barreiras. 

Em conclusão, a tecnologia pode tanto aproximar como afastar os mais velhos. Tudo depende do acesso, da formação e do apoio que lhes são disponibilizados. Se forem acompanhados e incluídos, os idosos podem utilizar as ferramentas digitais para comunicar, aprender e manter a sua independência. Por isso, promover a literacia digital na terceira idade é uma responsabilidade de toda a sociedade. Num mundo cada vez mais ligado, garantir que ninguém fica para trás é uma questão de inclusão, igualdade e respeito. 

 

Artigo escrito por Rita Silva, Psicóloga da Associação de Solidariedade Social de Santa Cristina de Malta (SANCRIS).