Bloco questiona Governo e Comissão Europeia sobre partículas de plástico que têm dado à costa

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O Bloco de Esquerda (BE) quer saber que “medidas urgentes” serão implementadas pelo Governo português relativamente às partículas de plástico que têm aparecido na costa depois de, em dezembro, ter caído ao mar um contentor com mil sacos com 26,2 toneladas, ao largo de Viana do Castelo.

“Ao longo dos últimos dias, têm começado a chegar pequenas bolinhas de plástico às praias da costa norte de Portugal. A origem desta tragédia ambiental remonta a 8 de dezembro, altura em que um cargueiro com bandeira da Libéria perdeu seis contentores, que caíram ao mar a cerca de 80 quilómetros de Viana do Castelo”, indica em comunicado o BE.

A Autoridade Marítima Nacional (AMN) recolheu, desde o dia 8 de janeiro, cerca de 950 partículas de plástico da costa entre Caminha e Figueira da Foz. Até terça-feira à tarde, na zona da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, foram recolhidos cerca de 130 destes ‘pellets’, segundo informação avançada à agência Lusa por fonte oficial da AMN.

A mesma fonte referiu que se mantém a “baixa probabilidade” de chegarem a Portugal grandes quantidades destas partículas. “Continuamos a falar de quantidades pouco significativas. Algumas partículas não sabemos se serão iguais às que foram parar à Galiza após a queda do contentor, outras certamente não são, porque apresentam sinais de desgaste. Se cada partícula tiver um grama, mil partículas seriam um quilograma”, disse.

Os eurodeputados Marisa Matias e José Gusmão, em conjunto com outros eurodeputados, já assinaram uma carta à Comissão, ao Conselho e ao Parlamento Europeu sobre esta situação.

Entretanto, o BE endereçou uma questão ao Governo, no qual pergunta “que medidas urgentes vão ser implementadas para assegurar o acompanhamento desta situação”, “como se vai proceder à limpeza das praias” e se “o Governo está a articular os procedimentos a adotar com as autarquias bem como com o Parque Natural do Litoral Norte”.

“O Bloco de Esquerda considera que esta situação constitui um problema gravíssimo para o ambiente, para os oceanos, para os animais e para as praias que carece de intervenção urgente. Na Galiza como agora em Portugal as populações estão a mobilizar-se para tentarem limpar as praias, tarefa particularmente difícil e extenuante porque as bolinhas de plástico são muito pequenas e confundem-se com a areia mais grossa. É fundamental que haja intervenção especializada e acompanhamento urgente desta situação”, lê-se no comunicado do partido.