Hospital da Luz: dormir bem para viver melhor

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Num tempo em que se valorizam cada vez mais hábitos saudáveis, da alimentação ao exercício físico, o sono emerge como um dos pilares fundamentais para o equilíbrio do organismo. O Dr. António Sousa Fernandes, coordenador de Pneumologia do Hospital da Luz da Póvoa de Varzim e especialista em Medicina do Sono, sublinha que “as pessoas reconhecem atualmente que o sono é fundamental para manter uma boa atividade cognitiva e física”.

A procura por consultas de Medicina do Sono tem aumentado significativamente, motivada
sobretudo por queixas de fadiga, dificuldade em dormir ou despertares frequentes durante a noite. Muitas vezes, são os próprios companheiros que identificam sinais como o ressonar ou pausas respiratórias, alertando para a necessidade de avaliação clínica.

Hoje sabe-se que dormir bem não é apenas uma questão de conforto, mas uma exigência
biológica essencial. Um sono de qualidade permite melhor desempenho ao longo do dia, maior capacidade de decisão e equilíbrio emocional. Quando negligenciado, pode comprometer seriamente a saúde e a qualidade de vida.

Rotina, hábitos e equilíbrio: a base de um sono saudável. A regulação do sono começa com algo simples, mas muitas vezes esquecido: a rotina. “Um ponto fulcral para termos uma boa noite de sono é termos horários regulares para deitar e acordar”, explica o especialista. Este padrão ajuda a estabilizar o ritmo circadiano, o relógio biológico responsável por regular o ciclo sono-vigília.

No entanto, os hábitos modernos têm vindo a prejudicar este equilíbrio. A exposição prolongada à luz artificial, sobretudo de ecrãs como telemóveis e tablets, interfere com a produção de melatonina, a hormona que induz o sono. A isso juntam-se refeições tardias, consumo de álcool e ingestão de cafeína ao final do dia, fatores que comprometem a qualidade do descanso.

“Não basta deitar e querer dormir instantaneamente. É necessário preparar o sono”, reforça António Sousa Fernandes. Esse processo passa por reduzir estímulos à noite, evitar alimentos excitantes e criar um ambiente propício ao relaxamento.

Também o conceito de duração ideal do sono deve ser desmistificado. Nem todas as pessoas necessitam de oito horas. O essencial é acordar revigorado e funcional. “Há quem precise de sete horas, outros de nove. O importante é respeitar as necessidades individuais”, esclarecer.

Doenças do sono: um problema silencioso e frequente. Entre as patologias mais comuns destacam-se a insónia e a apneia obstrutiva do sono. A insónia, frequentemente associada a ansiedade ou stress, pode tornar-se crónica se não for tratada atempadamente. Já a apneia caracteriza-se por pausas repetidas na respiração durante a noite, levando a um sono fragmentado e não reparador.

“Embora a pessoa pense que dorme, tem vários despertares e acorda cansada”, explica o
médico. Esta condição está associada a riscos sérios, como doenças cardiovasculares, hipertensão, arritmias e até acidentes vasculares cerebrais. Estima-se que até 40% da população possa apresentar algum grau desta doença, muitas vezes sem diagnóstico.

O Hospital da Luz da Póvoa de Varzim dispõe de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo várias especialidades médicas e exames específicos, como a polissonografia, um estudo do sono que permite avaliar a sua qualidade e detetar alterações. Este exame pode ser realizado em ambiente hospitalar ou no domicílio.

Além disso, existem tratamentos eficazes, como o uso de dispositivos respiratórios
(CPAP), que ajudam a manter as vias aéreas abertas durante o sono. O acompanhamento regular é essencial para ajustar terapias e garantir a sua eficácia.

Uma mensagem clara: é preciso dar prioridade ao sono. Apesar da crescente sensibilização, António Sousa Fernandes alerta para um risco atual: a desinformação. As redes sociais têm contribuído para divulgar a importância do sono, mas também geram práticas exageradas ou sem base científica. “Procurar o sono de forma obsessiva pode ser contraproducente”, refere, destacando o equilíbrio como chave.

A mensagem final é inequívoca: dormir bem não é um luxo, é uma necessidade. Tal como cuidamos da alimentação ou da forma física, devemos cuidar do sono. “Uma noite mal dormida pode ser recuperada; anos a dormir mal não”, alerta o especialista.

A regulação do sono é, hoje, uma prioridade de saúde pública e um investimento direto na
qualidade de vida. Prevenir, diagnosticar precocemente e adotar bons hábitos são passos
fundamentais para garantir um descanso reparador, e uma vida mais saudável.

Diagnóstico rigoroso com tecnologia especializada. No Hospital da Luz da Póvoa de Varzim, o diagnóstico das perturbações do sono assenta numa combinação entre avaliação clínica detalhada e meios tecnológicos avançados. Segundo o médico António Sousa Fernandes, um dos exames mais importantes é a polissonografia, considerada o método de referência para estudar o sono.

Este exame permite analisar, durante a noite, múltiplos parâmetros: desde a respiração,
o ritmo cardíaco e os níveis de oxigénio, até às várias fases do sono. Através desta monitorização, é possível perceber se o doente ressona, se apresenta pausas respiratórias, ou se o seu sono é fragmentado e pouco reparador. A polissonografia pode ser realizada em contexto hospitalar, com acompanhamento técnico permanente, ou no conforto do domicílio, oferecendo maior comodidade ao utente.

Além disso, o hospital dispõe de outros instrumentos complementares, como a actigrafia,
um exame que avalia os padrões de movimento ao longo do dia e da noite, ajudando a perceber os hábitos de sono. Estes equipamentos permitem um diagnóstico preciso, fundamental para definir o tratamento mais adequado.

Tratamentos personalizados e acompanhamento contínuo. Depois de feito o diagnóstico, o Hospital da Luz assegura um acompanhamento multidisciplinar, envolvendo especialistas de várias áreas, como pneumologia, neurologia e otorrinolaringologia. Este trabalho em equipa é essencial para abordar as diferentes causas das perturbações do sono.

Entre os tratamentos disponíveis, destaca-se o uso de dispositivos de pressão positiva
contínua (CPAP), muito utilizados nos casos de apneia obstrutiva do sono. Este equipamento, frequentemente descrito como uma “máscara para dormir”, mantém as vias respiratórias abertas durante a noite, evitando as pausas na respiração e melhorando significativamente a qualidade do sono.

A adaptação a estes dispositivos é acompanhada de perto pelos profissionais de saúde,
com ajustes regulares e consultas periódicas. “Muitos doentes têm alguma dificuldade inicial, mas com o apoio adequado há uma elevada taxa de sucesso”, explica o especialista.