Para Luciano de Vries, Portugal ocupa um lugar diferente no mapa. É o território onde convergem a sua história pessoal, as suas apostas imobiliárias mais ambiciosas e a sua convicção de que os mercados com fundamentos sólidos recompensam quem chega antes da multidão.
De Tomar para o Algarve
Radicado em Tomar, no centro de Portugal, de Vries dirige a Renaitre Unipessoal, a sua estrutura principal de investimento e desenvolvimento imobiliário. Foi através desta empresa que organizou o seu portefólio português, incluindo a sua participação de um terço na Casa Vista Real Estate, com projetos em curso em Olhão, Silves e Ferragudo, no Algarve.
O Algarve atrai atenção internacional pelas razões óbvias: clima, acessibilidade e procura turística sustentada. Mas de Vries não chegou a Portugal pelo que toda a gente já sabe. Chegou mais cedo, quando o potencial ainda não estava completamente refletido nos preços. Essa antecipação é uma constante no seu percurso.
Construído com Capital Próprio
Um detalhe que define a forma como de Vries opera: nunca recorreu a financiamento externo. Todos os projetos foram construídos com capital gerado pelos próprios negócios. Saiu de Costa Events, a operação de eventos que criou em Espanha, e redirecionou esses recursos para oportunidades que considerava mais duradouras.
Portugal enquadrou-se nessa lógica. Não como uma aposta especulativa, mas como um compromisso de longo prazo com ativos que têm utilidade real e que existem num mercado com estabilidade jurídica e crescimento consistente da procura internacional.
Fundamentos Antes do Entusiasmo
De Vries aborda o imobiliário com a mesma disciplina que aplica ao investimento em startups: os números têm de fazer sentido, o ativo tem de ter uma razão de existir e o momento de entrada tem de ser justificável. Quando esses três elementos coincidem, avança. Quando não coincidem, espera.
No contexto português, esses elementos têm sido favoráveis. A combinação de procura externa crescente, oferta limitada em determinadas regiões e um mercado que ainda não atingiu os patamares de valorização de algumas capitais europeias criou um espaço onde operar com convicção.
Para além do Imobiliário
Portugal é também a base de uma visão de investimento mais ampla. Além dos projetos imobiliários, de Vries mantém um portefólio de cerca de 30 investimentos em setores que vão desde tecnologia de drones na Alemanha até centros de dados subaquáticos, passando por saúde e sistemas financeiros de próxima geração.
Não são escolhas aleatórias. Há uma coerência por trás de cada posição: procurar operadores que estão a construir algo de que não desistem, em setores com vantagens estruturais de longo prazo. Portugal insere-se nessa mesma lógica, com a diferença de que aqui o investimento é tangível, físico, com um endereço.
Uma Presença Contínua
O que distingue a abordagem de de Vries em Portugal vai além do capital que afeta. É o envolvimento direto. Participa nas decisões de aquisição, desenvolvimento e promoção da Casa Vista Real Estate. Conhece os projetos em detalhe, os desafios locais e as oportunidades específicas de cada localização.
Esse nível de proximidade não é típico de um investidor passivo. É o reflexo de alguém que passou anos a construir negócios operacionais antes de se tornar alocador de capital, e que mantém esse instinto operacional mesmo quando o papel formal é o de investidor.
Portugal, nesse sentido, é mais do que uma posição num portefólio. É um projeto em curso, com pessoas, terrenos, projetos de construção e comunidades reais por detrás dos números.
O Longo Prazo como Estratégia Não Negociável
Num ambiente em que muitos investidores procuram liquidez rápida e saídas previsíveis, de Vries posiciona-se deliberadamente no lado oposto. O imobiliário exige paciência. Portugal exige paciência. E ele está disposto a dar essa paciência porque acredita nos fundamentos.
Quando questionado sobre a sua visão para Portugal, a resposta não é sobre retornos esperados num horizonte de dois ou três anos. É sobre aquilo que está a ser construído, literalmente, e sobre a convicção de que os mercados com substância acabam por recompensar quem está presente antes do momento óbvio.
Essa convicção, formada ao longo de anos a construir e sair de negócios, é o que traz de Vries de volta a Portugal, projeto após projeto.

