Póvoa de Varzim em destaque em revista nacional de ambiente

Em entrevista à Ambiente Magazine, o presidente da Câmara da Póvoa de Varzim falou sobre os objetivos do município para o ambiente, abrangendo áreas como a mobilidade, os resíduos, a energia e as ‘smart cities’.

Aires Pereira destacou desde logo o objetivo de tornar a Póvoa numa cidade ‘10 minutos’, numa referência a outras cidades mundiais “em que os cidadãos não gastam mais de 15 minutos para, a pé ou em bicicleta, acederem ao destino pretendido. Pela dimensão, queremos limitar essa distância a não mais que 10 minutos”.

O presidente de Câmara quer também tornar o concelho mais eficiente em perdas de água: “Além de termos uma rede municipal com um índice de perdas muito baixo, e esta circunstância pesa significativamente no preço baixo a que a vendemos aos munícipes, pretendemos reintroduzir na rede a água tratada pelas ETAR’s, o que permitirá reduzir o volume de água a captar”, disse. Na gestão de resíduos, o objetivo é o de tornar Póvoa de Varzim um “concelho europeu” em matéria de separação e de reciclagem de resíduos, “não excedendo 10% o volume dos resíduos a depositar em aterro” e, assim, “superar as metas de retoma e preparação para reutilização e reciclagem”. No que concerne à tecnologia, é também objetivo tornar-se um “concelho de gestão digitalizada”, disse àquela publicação.

Em questões de energia, o edil quer tornar o concelho “energeticamente eficiente”, através da “generalização de painéis solares” em “edifícios cuja qualidade deve ser consideravelmente melhorada, pois muitos são desconfortáveis e esse desconforto gera despesa para aquecer ou para arrefecer e essa despesa gera emissões”.

Cidades Inteligentes
No tema das ‘cidades inteligentes’, disse que está a ocorrer uma transformação, centralizando “todos os serviços de interação com o habitante” no Centro de Atendimento Municipal (CAM): “Este novo espaço pretende promover o acesso simples, rápido e eficiente a todos os serviços municipais, encontrando-se a uma curta distância a pé”. Por outro lado, “as novas tecnologias de informação são a base de interação com o habitante”, quer através de “uma APP com acesso a todos os serviços online”, quer através de “um assistente virtual, permitindo a tramitação digital dos processos evitando deslocações físicas ao CAM”, sucinta. A cidade poveira também instalou, em vários pontos e de forma gratuita, novos “bancos inteligentes” que permitem carregar o telemóvel ou, simplesmente, aceder à internet. Cada banco público instalado está devidamente equipado com duas portas USB carregador sem fios integrado na tampa de vidro acrílico, sensores de temperatura, humidade e ventiladores, cujo objetivo é arrefecer a superfície do assento nos dias de maior calor. Os equipamentos são autossuficientes e alimentados pela energia solar, permitindo o carregamento de todos dispositivos móveis e a consulta sobre o estado da bateria: “Este é um investimento que decorre da nossa estratégia de utilizarmos fontes de energias limpas a nosso favor, de forma inteligente prática e ambientalmente sustentável”, referiu o autarca.

Comentando as potencialidades da Póvoa de Varzim para ser uma ‘smart city’, Aires diz que a “inteligência urbana manifestar-se-á na forma como for capaz de construir a felicidade de quem aqui habita”, isto é, “a felicidade é o único barómetro fiável”. Preconiza, assim, uma “cidade resiliente e adaptada com um compromisso de sustentabilidade” assumido em todos os setores de atividade e “capaz de dar resposta às necessidades da sua população, independentemente do escalão etário, numa visão de inclusão, igualdade e responsabilidade ambiental, onde a inovação garantirá a competitividade necessária de uma economia que se pretende cada vez mais circular”.

Nesta entrevista, Aires falou também do ecocentro móvel, do projeto das 100 mil árvores da Área Metropolitana do Porto, da recolha porta a porta, das ciclovias e do projeto “Mercado +”, que inclui “a substituição de sacos plásticos descartáveis por reutilizáveis na secção de frescos e a instalação de uma máquina de recolha automática de resíduos com atribuição de benefícios em troca da entrega de resíduos recicláveis”.