PSD critica silêncio de Vítor Costa face às suspeitas que recaem sobre Isaac Braga

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O PSD de Vila do Conde manifestou publicamente “estranheza” e preocupação com o silêncio do presidente da Câmara Municipal e líder do PS concelhio, Vítor Costa, relativamente às suspeitas que recaem sobre Isaac Braga, presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde, também eleito pelo Partido Socialista.

Em comunicado deste sábado, os sociais-democratas consideram que o concelho vive “um dos momentos mais delicados da democracia local” e classificam a atual situação como “um dos episódios mais negros do poder autárquico” em Vila do Conde. O PSD sublinha que não se pronuncia sobre eventual matéria criminal, remetendo qualquer apreciação dessa natureza para a Justiça, mas aponta responsabilidades políticas claras ao PS e à sua liderança local.

No plano político, o PSD considera grave a suspeição que envolve Isaac Braga e, por arrasto, o Partido Socialista, por colocar em causa a relação de confiança entre eleitos e eleitores. Segundo o comunicado, este caso contribui para “agravar ainda mais a fragilidade democrática” de quem exerce o poder no concelho.

Os sociais-democratas recordam que Vítor Costa escolheu Isaac Braga por duas vezes como candidato à presidência da Junta de Freguesia de Vila do Conde, incluindo a recandidatura em outubro de 2025, já depois do período a que a notícia agora conhecida se reporta. Acrescentam ainda que o presidente da Câmara apoiou publicamente o candidato socialista durante a campanha eleitoral, pedindo confiança aos eleitores.

O comunicado refere também a atuação recente do PS na Assembleia de Freguesia, apontando como politicamente incoerente o facto de, após o apoio socialista ao Orçamento para 2026, a maioria dos eleitos do partido se ter abstido na votação das contas de 2025, permitindo o seu chumbo. Para o PSD, só após a divulgação de uma reportagem da RTP é que os eleitos socialistas emitiram um comunicado, que consideram pouco esclarecedor, escudando-se na autonomia dos órgãos de freguesia.

Em contraste, os sociais-democratas destacam a reação da distrital do PS, que retirou confiança política a Isaac Braga, nota que, segundo o PSD, evidencia um distanciamento face à concelhia de Vila do Conde. É neste contexto que o partido considera “verdadeiramente estranho e inaceitável” o silêncio de Vítor Costa, num momento em que a maior freguesia do concelho é palco de forte instabilidade política.

O PSD questiona ainda como é possível que o presidente da Câmara desconhecesse a situação, sublinhando que uma parte significativa das verbas das juntas de freguesia tem origem nos orçamentos municipal e do Governo central. Para os sociais-democratas, o líder local do PS “não é, nem pode ser, alheio ao que se passa com os seus representantes com poder executivo”.

O partido aponta ainda uma alegada desagregação das equipas e do projeto político do PS na Junta de Freguesia de Vila do Conde, defendendo que “as pessoas não servem apenas para ganhar eleições”, e lamenta que o concelho continue a ser notícia por razões negativas.

No final do comunicado, o PSD de Vila do Conde exige a realização de uma auditoria ao exercício dos mandatos socialistas na Junta de Freguesia, bem como a convocatória de uma Assembleia Extraordinária para esclarecimento cabal da posição dos eleitos do PS. Dirigindo-se diretamente a Vítor Costa, enquanto presidente do PS local e da Câmara Municipal, os sociais-democratas exigem que retire “todas as consequências políticas” do caso e que se responsabilize pela instabilidade instalada na maior freguesia do concelho.