Quotas de Pesca: Um problema nacional

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JOÃO RAMOS

Esta semana foram anunciadas as quotas para a frota de pesca nacional, com algumas alterações que prejudicam os interesses de Portugal. Os pescadores portugueses viram reduzidas as quotas de captura de importantes espécies para o seu rendimento, como o bacalhau, o tamboril e a pescada. Em contrapartida foram alargadas as quotas de espécies como o Biqueirão, o carapau e o lagostim. Este alargamento pouco beneficia a indústria nacional, uma vez que a quota de carapau é já mais do que suficiente, sendo o seu valor em lota e as suas margens de rentabilidade bastante baixas (à semelhança da cavala). Curiosamente, o biqueirão é uma espécie em vias de extinção e da qual os pescadores registam um volume de captura bastante baixo, ou seja raramente preenchem os limites de captura. Por sua vez, o aumento da quota do Lagostim vem sobretudo beneficiar os grandes reexportadores espanhóis, que o colocam no mercado europeu, beneficiando de margens substancialmente superiores aos armadores nacionais. Por outro lado, perdemos quota de Bacalhau, que constitui um importante recurso não só de consumo nacional, mas também de reexportação, que através de empresas como a Riberalves, que procede ao tratamento e processamento da espécie, gera valor acrescentado para o país. Além disso, a redução dos limites de pesca da pescada colocará o país ainda mais dependente das importações, vindas sobretudo do Chile.

Mais uma vez, os representantes portugueses em Bruxelas mostraram-se incapazes de defender os interesses estratégicos nacionais dentro do xadrez politico Europeu. Continuamos, a troco de uns tostões, a destruir o nosso tecido produtivo, com consequências graves para o futuro nacional.