Muito além do traje: os segredos de uma Tricana

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Ser Tricana é muito mais do que vestir um traje bonito na noite de São Pedro. É carregar uma tradição que atravessa gerações, representar um bairro inteiro e preservar costumes que resistem ao tempo. Mas, por trás do brilho das rusgas, existem meses de preparação e curiosidades que poucos conhecem. O famoso puxo nos cabelos, uma das imagens de marca das tricanas, exige mais de duas horas de trabalho, incluindo cerca de 45 minutos apenas de secador. Hoje existem lacas, espumas e géis para fixar o penteado. Mas você sabia que antigamente as ondas do cabelo eram sustentadas com uma mistura de água e açúcar? 

Os trajes, que se popularizaram entre as décadas de 1920 e 1960, eram compostos por xale, avental, saia, lenço e chinelos de salto alto. Com o passar dos anos, a moda popularizou-se, com a chegada da moda internacional na década de 70, a Tricana poveira tornou-se símbolo de tradição. Os trajes que antigamente não levavam brilhantes evoluíram e ganharam bordados elaborados e pedrarias que iluminam as ruas da cidade, a depender o material usado, como as pedras de vidro por exemplo, os trajes, podem ter valores bem elevados. Ainda assim, durante as Rusgas, a tradição mantém-se viva em elementos indispensáveis, como as meias carrisca, o lenço, os brincos em movimento e, claro, o impecável puxo. 

Para enfrentar os quilómetros da grande noitada, os sapatos, chamados de ‘chinelas’, são hoje mais confortáveis e com maior investimento, principalmente para as Tricanas que não abrem mão de deixá-los almofadados. Já os pés, recebem cuidados especiais nas semanas que antecedem a festa, entre esfoliações, hidratações diárias e cuidados redobrados, tudo é pensado para aguentar as horas de desfile. No final, muitas Tricanas recorrem ao tradicional banho de água ‘muito quente’ com sal grosso para aliviar o cansaço. Afinal, no São Pedro, cada Tricana não representa apenas a sua beleza, mas uma herança que continua a desfilar, orgulhosamente, de geração em geração.