Licenciado em Engenharia Alimentar e mestre em Empreendedorismo e Inovação na Indústria Alimentar, Lino Manuel dos Santos Lopes da Silva, de 45 anos, encontrou na agricultura o seu projeto de vida. Natural da freguesia da Junqueira, seguiu um percurso diferente daquele que inicialmente marcou a atividade dos seus pais, ligados durante décadas à produção de leite.
Apesar das raízes familiares no setor pecuário, Lino optou pela produção vegetal e, desde 2008, dedica-se à produção de legumes, construindo um percurso sustentado no conhecimento técnico, na inovação e na valorização dos produtos agrícolas da região.
Atualmente explora cerca de seis hectares de terreno na freguesia da Junqueira, dos quais 1,7 hectares correspondem à área de estufas e a restante produção é realizada ao ar livre. Nas estufas produz principalmente alface, tomate e pepino, enquanto nos terrenos exteriores cultiva cebola, alho-francês, couves e alface durante os meses mais quentes.
A exploração agrícola emprega sete trabalhadores e integra um modelo de produção fortemente ligado à UPN – União de Produtores do Norte–, organização da qual é sócio e para onde canaliza toda a sua produção. Segundo explica, a aposta na comercialização através da UPN surgiu pela vontade de aumentar a rentabilidade das explorações agrícolas e reduzir a dependência de intermediários. “O objetivo foi criar uma estrutura nossa, capaz de concentrar a produção dos agricultores e colocá-la diretamente junto dos clientes”, refere.
Esta estratégia, explica, permite programar melhor as culturas e adequar a produção às necessidades do mercado, chegando a clientes da grande distribuição, comércio tradicional e também a mercados internacionais, nomeadamente em Espanha.
Apesar disso, considera que a maior discrepância de preços continua a verificar-se entre a produção e o consumidor final. “Quando há excesso de produção e os preços pagos
ao agricultor são baixos, o consumidor continua muitas vezes a comprar caro. Essa diferença não fica no produtor nem no intermediário, mas surge mais à frente na cadeia comercial”, observa.
Ao longo dos últimos 18 anos, Lino Silva assistiu a profundas mudanças no setor agrícola. Embora reconheça que a evolução tem sido globalmente positiva, admite que a instabilidade continua a ser um dos maiores desafios da atividade. “Temos anos muito
bons e anos mais difíceis. O principal problema continua a ser a grande oscilação dos preços”, afirma.
Alterações climáticas trazem novos desafios. Entre as preocupações atuais dos
agricultores, as alterações climáticas ocupam um lugar central. Lino Silva admite que os fenómenos meteorológicos extremos estão a tornar-se mais frequentes e a criar dificuldades acrescidas para quem produz alimentos.
As elevadas temperaturas registadas nos últimos verões preocupam o agricultor, que alerta para a redução dos níveis de produtividade e para o aumento dos custos de exploração. “Produzir com temperaturas muito elevadas é mais difícil. Temos custos acrescidos com as regas e também se torna mais complicado trabalhar nestas condições. O rendimento diminui e a atividade torna-se ainda mais exigente”, sublinha.
Mas não é apenas o calor que afeta a produção. O agricultor recorda igualmente as dificuldades provocadas pelos períodos prolongados de chuva durante o inverno. “Foi um
inverno muito difícil. A chuva constante aumentou bastante a humidade dentro das estufas e dificultou o controlo de doenças nas culturas”, explica.
Convicto de que as alterações climáticas são uma realidade, defende que o setor agrícola terá inevitavelmente de se adaptar. “Independentemente das causas, temos de encontrar formas de adaptar a agricultura a este novo clima.”
Certificações cada vez mais exigentes garantem qualidade e segurança. Além dos desafios climáticos, a atividade agrícola está hoje sujeita a elevados níveis de exigência ao nível
das certificações e do controlo dos processos produtivos. Lino Silva destaca que tanto a sua exploração como os restantes produtores ligados à UPN possuem certificações Global G.A.P., abrangendo boas práticas agrícolas e boas práticas sociais relacionadas com as condições dos trabalhadores.
Existem ainda certificações ligadas à utilização sustentável da água, preservação da biodiversidade e outras áreas ambientais. “Os nossos clientes exigem estas
certificações. Se queremos estar presentes em determinados mercados, temos obrigatoriamente de cumprir todos estes requisitos”, explica.
Para o agricultor, este nível de exigência é fundamental para garantir a segurança alimentar dos consumidores. “Produzimos um bem essencial e temos a responsabilidade de assegurar que chega ao consumidor com toda a qualidade e segurança.” Segundo refere, a agricultura moderna está hoje muito longe da imagem tradicional associada apenas ao trabalho no campo.
“Ser agricultor implica cada vez mais trabalho administrativo, registos e controlo. Há muitos papéis, mas é importante que assim seja”, diz, mas, apesar das dificuldades, acredita que a região da Póvoa de Varzim e Vila do Conde continuará a afirmar-se pela qualidade dos seus produtos hortícolas. “Os produtos desta zona são reconhecidos
pela sua qualidade e espero que consigamos manter os produtores e continuar a valorizar esse reconhecimento.”
Lino admite, contudo, que a falta de jovens agricultores continua a ser uma preocupação. “É uma atividade exigente, que requer muito esforço e dedicação. Por isso, é cada vez mais difícil encontrar jovens interessados em iniciar-se no setor.”
HORPOZIM: um parceiro essencial no terreno. Associado da HORPOZIM, Lino Silva considera a cooperativa um parceiro estratégico para o desenvolvimento da sua exploração agrícola.
O agricultor destaca sobretudo o acompanhamento técnico permanente prestado pela
organização, que inclui visitas regulares às culturas, recomendações técnicas semanais,
apoio ao nível da fertilização e das regas, bem como suporte nos processos de certificação.
“Conto com a HORPOZIM como parceiro de futuro. O apoio técnico que recebemos é muito importante para a gestão da exploração”, afirma.
Para Lino Silva, a evolução da agricultura exige cada vez mais conhecimento, acompanhamento especializado e capacidade de adaptação, áreas em que a cooperativa desempenha um papel fundamental.
Sem apresentar críticas ao trabalho desenvolvido, deixa um desejo simples para os
próximos anos. “Espero que a HORPOZIM continue a fazer um bom trabalho. Tudo o que vier para melhorar será bem-vindo, mas estou satisfeito com o apoio que temos recebido.”


