Cardiologia do Hospital da Luz da Póvoa reforça diagnóstico precoce e salva vidas

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A valência de cardiologia do Hospital da Luz da Póvoa de Varzim apresenta-se como uma unidade diferenciada na região, combinando tecnologia avançada, equipa experiente e uma abordagem centrada na prevenção e diagnóstico precoce das doenças cardiovasculares, que continuam a ser a principal causa de mortalidade em Portugal e no mundo.

Coordenada pelo cardiologista Dr. Paulo Ferreira, de 64 anos, descendente de pai poveiro, natural de Aver-o-Mar, a unidade integra uma equipa de 10 cardiologistas, um especialista em cardiologia pediátrica e um cirurgião cardiotorácico, apoiados por diversos profissionais de saúde, numa lógica de trabalho multidisciplinar. 

“Temos uma equipa preparada para responder aos desafios atuais”, sublinha o responsável, destacando a experiência acumulada e também a entrada de novos profissionais, que reforçam a capacidade de resposta da unidade. 

Prevenção e rastreio: a principal arma contra a doença cardíaca. O especialista alerta para a importância da prevenção, lembrando que cerca de 25% das mortes em Portugal estão relacionadas com doenças cardiovasculares. 

“Muitas dessas mortes seriam evitáveis com rastreio adequado e alterações no estilo de vida”, afirma. 

Nesse sentido, deixa recomendações claras: realização de rastreios cardíacos pelo menos uma vez por ano, adoção de alimentação equilibrada, prática regular de exercício físico com acompanhamento médico, controlo da tensão arterial e colesterol e evitar o tabagismo. 

O médico alerta ainda para um fenómeno crescente: a desinformação. “Vivemos numa era de pseudociência. Há muita informação errada a circular, muitas vezes promovida por influencers, que são um verdadeiro atentado à saúde pública”, critica. 

Tecnologia avançada ao serviço do diagnóstico cardíaco. A cardiologia do Hospital da Luz dispõe de um conjunto alargado de exames e equipamentos de última geração, permitindo uma avaliação detalhada e precisa das patologias cardíacas. 

Entre os principais meios destacam-se: ecocardiografia com equipamentos de topo, provas de esforço, angioTAC coronária, ressonância magnética cardíaca, Tilt test (exame pouco comum na região, essencial no estudo das perdas de consciência) e estudos eletrocardiográfia e monitorização prolongada (Holter/MAPA/Registador de
Eventos)
. 

Segundo o Dr. Paulo Ferreira, esta diversidade de meios permite “dar uma resposta muito adequada” na fase de diagnóstico e acompanhamento clínico. 

Apesar disso, o coordenador admite que a unidade ambiciona crescer, nomeadamente na vertente de intervenção, como a realização de angioplastias ou colocação de stents, atualmente asseguradas em unidades do grupo fora da Póvoa. 

Testemunhos reais: dois casos graves com final feliz. Ana Ferreira tinha 45 anos quando sentiu um aperto no peito durante a noite de São Pedro, em 2016. Sem fatores de risco aparentes, não fumadora, com alimentação cuidada e sem histórico clínico relevante, decidiu procurar ajuda médica. 

Após exames iniciais inconclusivos, foi submetida a uma angioTAC, que revelou uma obstrução de 95% numa artéria principal do coração. “Foi uma surpresa total”, recorda. 

Encaminhada para intervenção, realizou um cateterismo com colocação de stent, que resolveu o problema. Desde então, mantém acompanhamento regular e leva uma vida normal. “Foi detetado a tempo, e isso fez toda a diferença”, sublinha o cardiologista. 

Doença silenciosa descoberta em exame de rotina. Diferente foi o caso de Augusto Leite, hoje com 72 anos, diagnosticado há cerca de três anos com doença coronária grave, envolvendo vários vasos. 

Apesar de apresentar fatores de risco, tabagismo, hipertensão e histórico familiar, não tinha sintomas evidentes. “Fazia uma vida normal. Nunca senti dor”, explica. 

Um check-up revelou alterações numa prova de esforço, levando à realização de uma ressonância magnética que confirmou uma extensa área do coração sem irrigação adequada. 

Encaminhado para cirurgia, foi submetido a bypass coronário, com sucesso. Hoje mantém uma vida ativa, com fatores de risco controlados e acompanhamento clínico regular. 

A importância do acompanhamento contínuo. Após o tratamento, os doentes cardíacos necessitam de vigilância permanente e medicação continuada. Entre os fármacos mais comuns estão: Aspirina; Estatinas (controlo do colesterol) e Betabloqueadores (consoante o caso). 

O médico reforça a segurança destes tratamentos, contrariando mitos frequentes. “Não há evidência científica que comprove que as estatinas são prejudiciais. São fundamentais na redução da mortalidade cardiovascular”, garante. 

Um serviço com raízes locais e visão de futuro. Com uma ligação pessoal à Póvoa de Varzim, Paulo Ferreira destaca a satisfação em contribuir para a saúde da população local. 

“Espero que continuemos a crescer e a prestar um serviço cada vez melhor”, afirma. 

A aposta passa pela melhoria contínua dos meios técnicos, reforço da equipa e expansão de serviços, com o objetivo de aproximar todos os cuidados aos utentes. 

Num contexto em que a doença cardiovascular continua a liderar as estatísticas de mortalidade, a mensagem é clara: prevenir, diagnosticar cedo e tratar adequadamente pode salvar vidas — como demonstram os casos de sucesso acompanhados na unidade poveira.