O Centro de Gastrenterologia do Hospital da Luz Póvoa de Varzim tornou-se um dos serviços mais diferenciados da região Norte. À frente desta evolução está o Prof. Dr. Rui Morais, coordenador do Centro, que tem liderado uma transformação assente em tecnologia, prevenção e acompanhamento multidisciplinar. “Hoje conseguimos ver e tratar coisas que há 10 anos eram invisíveis”, afirma.
É uma especialidade que cobre todo o sistema digestivo. Da boca ao reto, passando pelo fígado, pâncreas e vias biliares, a Gastrenterologia é uma das áreas médicas mais exigentes, com o Hospital da Luz da Póvoa a acompanhar uma das maiores revoluções tecnológicas da medicina moderna.
Apesar do nome poder assustar, “um verdadeiro palavrão”, como reconhece o próprio médico, a Gastrenterologia é uma das especialidades mais completas da medicina moderna. “Lidamos com todo o tubo digestivo: esófago, estômago, intestino delgado, cólon e reto, mas também com doenças do fígado, pâncreas e vias biliares”, explica Prof. Dr. Rui Morais. O avanço da endoscopia digestiva tem permitido diagnosticar e tratar cada vez mais patologias de forma precoce, segura e minimamente invasiva.
Prevenção: o passo decisivo. Entre as áreas em que a prevenção é mais determinante, destacam-se o cancro do cólon e reto e o cancro do estômago, dois problemas onde Portugal, e em particular o Norte do país, que apresenta números que justificam especial
atenção.
O cancro colorretal: rastreio deve começar cada vez mais cedo. “Sabemos que o rastreio deve iniciar aos 50 anos, mas tudo indica que em breve será antecipado para os 45, defende o especialista. O motivo? O aumento de casos em pessoas mais jovens. Nos últimos anos, verificou-se um crescimento significativo da incidência do cancro colorretal entre os 35 e os 45 anos, fenómeno ainda sem explicação definitiva, mas associado ao estilo de vida moderno e à alimentação processada.
Portugal é um dos poucos países europeus com incidência intermédia alta de cancro do estômago, e o Norte é particularmente afetado. Entre as causas estão: fatores genéticos e hábitos alimentares marcados por carnes vermelhas, alimentos salgados e fumeiros.
“A evidência mostra que, em Portugal, é custo eficaz rastrear o cancro do estômago com uma endoscopia. Idealmente, deve fazer-se entre os 45 e 50 anos, em simultâneo com a colonoscopia”, defende o gastroenterologista.
Equipa multidisciplinar focada no doente. O Centro de Gastrenterologia do Hospital não aposta apenas na tecnologia. A evolução do serviço tem sido acompanhada pela criação de equipas especializadas que dão resposta global aos doentes. A alimentação é determinante tanto no tratamento de sintomas gastrointestinais como na prevenção de doenças mais graves.
“Estamos a criar uma consulta especializada de nutrição, quase uma via verde, para ajudar doentes com sintomas recorrentes e também aqueles que tiveram lesões pré malignas, como o Sr. Manuel”, refere o Prof. Dr. Rui Morais.
Testemunho que prova o valor da prevenção
Manuel José Gonçalves Ferreira, 73 anos, natural de Terras de Bouro, sabe bem o impacto que um diagnóstico atempado pode ter. Com histórico familiar de problemas no cólon, começou cedo a fazer colonoscopias. “Logo na primeira tiraram-me pólipos. A prevenção é fundamental para quem gosta de viver, e eu gosto muito”, conta.
Há dois anos, durante uma colonoscopia e endoscopia no Hospital da Luz Póvoa de Varzim, surgiu o alerta: uma lesão no estômago. Foi encaminhado para o Dr. Rui Morais, que realizou o procedimento endoscópico que viria a retirar a lesão. “Quando vi o relatório e as fotografias, nem queria acreditar que aquilo tinha sido feito pela boca, com aqueles ‘clips’. Fiquei maravilhado com a precisão.”
O acompanhamento continuou e, na revisão dois anos depois, surgiu uma nova lesão, novamente tratada de forma eficaz e minimamente invasiva. “Se tivesse esperado dois ou três anos, o meu problema podia ser muito mais grave. Agora digo aos meus amigos: façam prevenção! Foi um privilégio ter encontrado esta equipa.”
Psicologia: intestino sente o que a mente vive
Um dos objetivos do serviço é integrar também consultas de psicologia. “A ligação cérebro intestino é uma realidade. Ansiedade, stress ou fases difíceis da vida podem desencadear sintomas reais, desde dores abdominais a alterações do trânsito intestinal.” A abordagem multidisciplinar, médico, nutricionista e psicólogo, é, para o especialista, o caminho certo para melhorar resultados e qualidade de vida.
Hepatologia: o fígado
A Hepatologia dedica-se ao diagnóstico preciso e acompanhamento das doenças do fígado, incluindo situações comuns como esteatose, cirrose, hepatites, nódulos hepáticos e doenças autoimunes ou metabólicas. Na consulta, são analisados de forma integrada os dados clínicos, análises de sangue e exames de imagem, com recurso a ecografia, elastografia e, quando necessário, exames com contraste ou biópsia hepática.
Proctologia
A consulta de Gastrenterologia – Proctologia é dedicada ao diagnóstico e tratamento das doenças que afetam a parte final do aparelho digestivo: ânus, reto e canal anal. Nesta consulta são avaliados sintomas como dor anal, hemorragia retal, prurido, alteração do trânsito intestinal, fissuras, fístulas, abcessos, incontinência fecal ou suspeita de hemorroidas.
Risco familiar de cancrodigestivo
Esta consulta tem como objetivo identificar pessoas com maior probabilidade de desenvolver neoplasias do esófago, estômago, vias biliares e pâncreas, tumores que, apesar de graves, não possuem programas de rastreio validados. São avaliados fatores de risco familiares, pessoais e comportamentais, permitindo estratificar o risco individual e aplicar métodos de diagnóstico precoce como exames laboratoriais, endoscópicos e imagiológicos.
Vigilância de pólipos do cólon
O cancro colorretal tem vindo a aumentar em todo o mundo, especialmente em adultos com menos de 50 anos. É uma doença que se desenvolve a partir de pólipos, lesões pré malignas que podem ser detetadas e removidas através de exames de rastreio. A remoção endoscópica destes pólipos é menos invasiva do que a cirurgia, apresenta menor risco de complicações, mantém melhores níveis de qualidade de vida e tem eficácia comparável. Após a resseção, a vigilância endoscópica é essencial para identificar possíveis recorrências ou novas lesões numa fase inicial. A consulta é indicada para doentes que tiveram pólipos removidos por técnicas endoscópicas complexas, que necessitam de orientação para terapêuticas adicionais ou que apresentam risco aumentado devido a antecedentes pessoais.






