O Chega e o CDS de Vila do Conde reagiram este sábado à polémica em torno do presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde, Isaac Braga, na sequência da reportagem do programa A Prova dos Factos, da RTP1, que levantou suspeitas sobre alegadas compras e transferências de dinheiro a favor do autarca e da sua esposa.
A Comissão Política Concelhia do Chega considera que o caso tornado público vem confirmar alertas que o partido diz ter vindo a fazer “há muito tempo” sobre a falta de transparência na gestão autárquica no concelho. O partido recorda que tem sido frequentemente criticado por não votar favoravelmente orçamentos e transferências da Câmara Municipal para as juntas de freguesia, tanto na vereação como na Assembleia Municipal, explicando que essa posição resulta da ausência de documentação completa e de mecanismos eficazes de fiscalização.
Segundo o Chega, no caso concreto da Junta de Freguesia de Vila do Conde, ficou “bem evidente” que os destinos dos montantes transferidos não são devidamente escrutinados. O partido revela ainda que tem vários pedidos de acesso a pessoas, documentos e meios para reforçar o controlo do executivo municipal e das freguesias, que permanecem sem resposta ou têm sido recusados, alegadamente com base no Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD).
Também o CDS‑PP veio a público manifestar “profunda preocupação” com os factos revelados na reportagem emitida na noite de 8 de maio.Em comunicado assinado por Miguel Gomes, o partido considera que os acontecimentos revestem‑se de “elevada gravidade” e exigem um esclarecimento “completo e urgente”.
Os centristas sublinham que, a confirmarem‑se as suspeitas de utilização indevida de recursos públicos, estará em causa uma violação inaceitável dos princípios de rigor, transparência e respeito pelos contribuintes. Nesse sentido, o CDS‑PP entende que não basta ao Partido Socialista reconhecer uma alegada “quebra de confiança política”, defendendo a necessidade de uma assunção clara de responsabilidades políticas, tanto ao nível local como distrital, uma vez que foi o PS quem sustentou politicamente o executivo da Junta e a sua liderança.
O CDS‑PP defende ainda que todas as entidades competentes, nomeadamente a Inspeção‑Geral de Finanças e as autoridades judiciais, devem atuar com celeridade para o apuramento integral dos factos. O partido reafirma o seu compromisso com uma gestão pública séria e transparente e garante que continuará a acompanhar o processo com “a máxima atenção”.


