Cidades de sucesso precisam de líderes capazes

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EDGAR TORRÃO

A competição entre as cidades está a crescer. Não é um fenómeno novo mas é uma tendência crescente que veio para ficar. Cada vez mais as gerações, em particular as mais jovens e melhores preparadas para a mudança, tendem a escolher a cidade onde viver em função de alguns parâmetros bem definidos. As cidades já não são um espaço comunitário fechado em que as gerações dessa cidade se renovavam entre si com uma mobilidade reduzida ou inexistente. É por isso fundamental que as lideranças nas cidades sejam capazes de interpretar como podem e devem posicionar a sua cidade para acolher novas pessoas, motivar a população residente e atrair investimento. Em primeiro lugar, as lideranças da cidade têm de compreender (e aceitar) que deixar um legado para as gerações futuras é incompatível com pequenas vaidades pessoais. Projectos assentes na vaidade dos líderes da cidade são um caminho mais ou menos evidente para a entropia urbana e, usualmente, arrastam consigo sérios problemas financeiros que as gerações futuras necessariamente têm de pagar.

Os líderes que inspiram são aqueles que possuem uma Visão da cidade, sendo que esta Visão é construída consensualmente por uma maioria significativa de pessoas dessa cidade. É inevitável fazermos comparações com várias cidades que conhecemos e procurarmos perceber o que faz a diferença entre uma cidade amorfa, sem brilho e dinâmica e uma outra que atrai, visitantes e residentes. Há três grandes eixos, a meu ver, que as cidades de sucesso possuem: Sustentabilidade, Coesão social e territorial e Inovação.

Sabendo que os recursos disponíveis dos governos locais são escassos, é essencial ter uma clara Visão do que se pretende fazer com os milhões que os fundos europeus atribuíram no âmbito do Portugal 2020. São mais de mil milhões de euros para as cidades portuguesas investirem no caminho do sucesso. Creio que a maioria da população das cidades continuam alheadas do que os seus governantes decidiram ou vão decidir fazer com esses milhões. Quais são os eixos considerados prioritários para investimento, quais os objectivos a atingir, qual a necessidade efectiva a cobrir são questões que andam muito arredadas das discussões das nossas gentes. Quiçá a nossa preguiça humana leva-nos a ser mais imediatistas e a discutir com pompa e circunstância os orçamentos municipais para as festas e animações populares. Fruto da organização administrativa do país, o futuro das cidades passa essencialmente pela decisão dos seus líderes. A forma como estes decidem e o que decidem vai definir se estes conseguem projectar a cidade que governam para terem sucesso neste mundo cada vez mais global.