Empresa de Beiriz entrega primeiro ventilador certificado para cuidados intensivos (fotos)

Foi desenvolvido na empresa SYSADVANCE, com sede em Beiriz, o primeiro ventilador do país que cumpre as diretivas europeias para ser utilizado nos cuidados intensivos das unidades hospitalares. Na manhã desta quarta-feira foram entregues simbolicamente as primeiras 15 unidades à Ordem dos Médicos, parceira neste projeto.

Estes 15 ventiladores serão doados pela Ordem a hospitais do Serviço Nacional de Saúde. De resto, há também duas unidades encomendadas para a República Checa, além do processo de equivalência já a decorrer no Brasil.

José Vale Machado, engenheiro e presidente da administração da SYSADVANCE, explicou que a grande característica distintiva destes ventiladores é a sua precisão:

“Tratam-se de equipamentos responsáveis pelo suporte de vida de doentes que têm estados pulmonares muito críticos. A precisão em termos da pressão e do volume que administra, juntamente com a concentração de oxigénio que controla, são fundamentais para um tratamento conveniente”.

Outras vantagens são o facto de funcionarem “meses a fio” e de poderem ser “controlados remotamente” através de computador, não sendo assim necessário entrar na sala dos pacientes.

A empresa de Beiriz tem uma capacidade de produção, para já, de 10 por dia, que poderá chegar aos 60 se for necessário. O preço dos ventiladores, cerca de 15 mil euros, é um terço do valor do mercado. Assim, torna-se mais “compatível com a massificação do produto e com o momento de pandemia que se vive”, frisou José Machado.

Também parceiro neste projeto foi o Centro de Cirurgia Experimental Avançada, situado na freguesia da Junqueira em Vila do Conde.

Bastonário compara ventilador aos “de topo produzidos na Alemanha”

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, destacou um “ventilador altamente diferenciado e específico para cuidados intensivos, que compara favoravelmente com os ventiladores de topo produzidos na Alemanha”. Isto é “muito importante para a autonomia do país”.

Será um equipamento fulcral, até porque nesta pandemia “usaram-se os melhores e os piores ventiladores, mesmo que não fossem específicos para cuidados intensivos”, uma vez que o objetivo era “tentar salvar o máximo de vidas”.

O bastonário não tem dúvidas de que estamos perante uma máquina “que fica para a história do país e da pandemia”.

Na cerimónia esteve também presente Ana Paula Correia, bastonária da Ordem dos farmacêuticos.