A Póvoa de Varzim perdeu, na noite de sábado, uma das suas personalidades mais marcantes. Armando Rocha Marques, conhecido por muitos como o verdadeiro “Senhor Turismo” da cidade, faleceu aos 97 anos, deixando um legado profundamente ligado à promoção turística, à preservação das tradições poveiras e ao movimento associativo local.
Nascido a 15 de abril de 1929, na Póvoa de Varzim, Armando Marques dedicou grande parte da sua vida ao serviço da comunidade. Ingressou nos quadros da Câmara Municipal em 1953, tendo posteriormente assumido funções como promotor e chefe dos Serviços Municipais de Turismo, cargo que desempenhou entre 1966 e 1987, período em que ajudou a consolidar a imagem da cidade como um dos mais importantes destinos turísticos do país.
Ao longo de décadas, foi um dos principais rostos da promoção da Póvoa de Varzim, participando na organização e divulgação de eventos que projetaram o concelho a nível nacional. O seu trabalho coincidiu com anos de grande dinamismo turístico, durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, contribuindo para afirmar a cidade como referência balnear, cultural e etnográfica.
Paralelamente à carreira no município, Armando Marques esteve ligado à atividade privada do setor, sendo uma das figuras associadas à histórica agência de viagens Rondatur, fundada em 1963 e que se tornou uma referência regional no setor turístico. Mas a sua influência ultrapassou largamente o turismo institucional. Durante mais de meio século esteve ligado ao Grupo Folclórico Poveiro (Rancho Poveiro), acompanhando-o desde 1954. Foi durante largos anos apresentador e embaixador do grupo, tanto em Portugal como no estrangeiro, desempenhando um papel decisivo na divulgação das tradições, usos e costumes poveiros.
O seu empenho na defesa da identidade local fez dele um dos grandes impulsionadores das tradições da cidade, incluindo as Festas de São Pedro, o folclore e a valorização do património cultural poveiro. Para muitos, Armando Marques foi um dos principais responsáveis por manter viva a memória coletiva de um povo profundamente ligado ao mar e às suas raízes. Esta dedicação valeu-lhe o reconhecimento generalizado da comunidade e das instituições locais.
Além do turismo e do associativismo, desenvolveu intensa atividade na comunicação social. Colaborou com diversos órgãos de imprensa regional e nacional, incluindo o Diário do Norte, Comércio do Porto e Diário Popular, tendo igualmente escrito para uma publicação internacional dedicada ao turismo. Foi também presença regular em meios de comunicação locais e autor do livro “Crónicas Poveiras: o passado no presente”, obra dedicada à história e memória da cidade.
O reconhecimento pelo seu percurso chegou oficialmente em 2016, quando a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim lhe atribuiu a Medalha de Reconhecimento Poveiro, Grau Prata. Na ocasião, o presidente Aires Pereira descreveu-o como “a personificação do poveiro global”, destacando o seu papel como técnico de turismo, divulgador da cidade e cidadão empenhado nas causas associativas. Em 2018, voltou a ser homenageado pelo município, recebendo o Brasão da Póvoa de Varzim pelos serviços prestados à comunidade.
Com a sua partida desaparece uma das últimas grandes referências de uma geração que ajudou a construir a projeção turística da Póvoa de Varzim no século XX. Fica, porém, um legado de dedicação, visão e amor profundo à terra que sempre promoveu com orgulho. Armando Marques ficará para sempre na memória dos poveiros como um dos homens que mais contribuíram para divulgar a Póvoa de Varzim, as suas tradições e a sua identidade. À Família, o MAIS/Semanário endereça sentidas condolências.


