Morreu poveira defensora das tradições e que ajudou a criar Casa dos Poveiros de S. Paulo

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Fernanda Pinto, poveira radicada no Brasil há mais de 60 anos, morreu esta quinta-feira aos 95 anos de idade, divulgou a sua filha em nota de pesar. Apesar da distância, a poveira nunca esqueceu a sua cidade natal e com a exceção dos últimos anos, era uma presença assídua na Póvoa de Varzim todos os anos, onde passava os meses de verão.

Fernanda Pinto, que exibia sempre saias tradicionais poveiras, foi sempre uma acérrima defensora dos usos poveiros, como era proprietária do edifício localizado em frente à Igreja Matriz, com o seu peculiar escadório exterior, prédio histórico da cidade, dado que foi o local onde funcionou a primeira Câmara da Póvoa de Varzim, antes da transferência para os atuais Paços do Concelho.

A poveira foi, juntamente com um grupo de poveiros residentes em S. Paulo, uma pessoa que impulsionou à criação da Casa dos Poveiros naquela cidade brasileira, fundada a 6 de abril de 1991 (há 33 anos). Fernanda Pinto era também a madrinha do Grupo Recreativo e Etnográfico “As Tricanas  Poveiras”, liderado por António Pereira.

No momento de consternação familiar, a filha de Fernanda Pinto salientou a sua mãe como “uma mulher de uma fortaleza absurdamente incrível, notável e intensa, uma mulher muito à frente do seu tempo, uma mulher de negócios que adorava dizer: “Ninguém me passa pra trás”. Dona de convicções que ela defendia com unhas e dentes, não importava à quem doesse, um vocabulário famoso e digno de deixar Dercy Gonçalves com inveja”. À sua filha e à família enlutada, o MAIS/Semanário apresenta sentidas condolências.