Assinalam-se hoje, 14 de agosto, 20 anos do falecimento de Manuel José Ferreira Lopes, uma das personalidades mais marcantes da história cultural da Póvoa de Varzim nas últimas décadas. Investigador, museólogo, bibliotecário e homem de vasta cultura, deixou uma obra que continua a ser uma referência incontornável para quem estuda e preserva a identidade poveira.
Nascido a 30 de maio de 1943, no número 68 da Avenida Mouzinho de Albuquerque, Manuel Lopes era filho de António Ferreira Lopes, natural da Póvoa de Varzim, e de Aline Ferreira Lopes, natural do Recife, Brasil. Desde cedo revelou interesse pela história, etnografia e património local, áreas às quais dedicaria grande parte da sua vida.
A sua ligação profissional ao Município da Póvoa de Varzim iniciou-se a 1 de agosto de 1965, quando foi admitido como funcionário da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto. Nesse papel, colaborou de perto com Flávio Gonçalves, participando na organização das comemorações do Centenário do Nascimento de Rocha Peixoto, uma experiência que viria a marcar o seu percurso cultural.
Reconhecido pelo seu profundo conhecimento sobre a história e as tradições locais, Manuel Lopes desempenhou funções como diretor da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto e do Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim. Foi também um dos principais impulsionadores da instalação da biblioteca no espaço que ainda hoje ocupa e um defensor incansável da recuperação de importantes símbolos da identidade marítima poveira, entre os quais a reconstrução da emblemática Lancha Poveira do Alto.
Ao longo da sua carreira destacou-se ainda como investigador e divulgador da cultura local. Foi coordenador do Boletim Cultural “Póvoa de Varzim”, publicação onde assinou diversos estudos e trabalhos de investigação que continuam a servir de base a muitos investigadores.
Entre as inúmeras iniciativas que promoveu, merece especial destaque a exposição “Siglas Poveiras”, que alcançou reconhecimento internacional ao receber o prémio European Museum of the Year Award, distinguida como a melhor exposição especial de 1980. Uma distinção que projetou além-fronteiras o património identitário da comunidade piscatória poveira.
O contributo de Manuel Lopes para a valorização da cultura local foi reconhecido publicamente pelo Município da Póvoa de Varzim a 25 de junho de 1994, data em que lhe foi atribuída a Medalha de Prata de Reconhecimento Poveiro.
Manuel Lopes faleceu a 14 de agosto de 2006, na sua cidade natal. Contudo, o seu legado permaneceu vivo. Além do vasto trabalho desenvolvido ao longo de décadas, deixou em testamento ao Município da Póvoa de Varzim a sua casa na Avenida Mouzinho de Albuquerque e a sua valiosa biblioteca particular, reforçando o seu compromisso com a preservação e transmissão do conhecimento às gerações futuras.
Duas décadas após a sua morte, Manuel Lopes continua a ser recordado como um dos mais importantes guardiões da memória coletiva da Póvoa de Varzim, um homem cuja dedicação ao património, à história e à cultura local ajudou a construir a identidade cultural que hoje distingue a cidade.


