A frota da pesca polivalente admite avançar com uma paralisação nacional dos portos caso o Governo não consiga aumentar a quota do linguado ou criar medidas de compensação para os armadores e pescadores. A ameaça foi lançada esta sexta-feira, na Póvoa de Varzim, durante uma reunião que juntou mais de 60 armadores das associações Apropesca, Associação de Armadores de Pesca do Norte (AAPN), Pró-Maior e Vianapesca.
Segundo Manuel Marques, da AAPN, o principal problema resulta da decisão de agrupar numa única quota três espécies de linguado – o linguado legítimo, o linguado de areia e o linguado preto –, o que fez com que a quota fosse esgotada muito mais rapidamente. A situação agravou-se depois de Portugal ter sido penalizado em 20% por alegados excessos de captura registados em anos anteriores, reduzindo significativamente a quota disponível para 2026.
Atualmente, Portugal dispõe de cerca de 305 toneladas da quota ibérica de linguado, enquanto Espanha fica com aproximadamente 185 toneladas. No entanto, a quota portuguesa já foi esgotada a meio do ano, deixando a frota sem uma das espécies que funciona como complemento essencial da sua atividade. Os pescadores alertam que a falta de linguado poderá aumentar a pressão sobre outras espécies, como o polvo, colocando também essas pescarias em risco.
Além da questão das quotas, os armadores criticam o atraso nos apoios prometidos para compensar a subida do preço dos combustíveis e lembram os prejuízos acumulados durante os dois meses de paragem forçada devido ao mau tempo no início do ano. “Assim o setor não tem condições para andar ao mar. Não aguenta”, afirmou Carlos Cruz, presidente da Apropesca.
Os representantes do setor depositam agora expectativas numa reunião marcada para os dias 20 e 21, entre o secretário de Estado das Pescas e o comissário europeu responsável pela pasta, onde a questão do linguado será um dos temas centrais. Os pescadores esperam que dessa reunião resulte uma solução que permita reforçar a quota ou minimizar os impactos económicos da proibição.
Caso não haja avanços concretos, os armadores prometem reunir-se em agosto para preparar uma ação de protesto a nível nacional. A intenção passa por envolver portos de todo o país e avançar com uma paragem geral da frota na primeira semana de outubro, numa tentativa de pressionar as autoridades nacionais e europeias a encontrar uma resposta para a crescente crise no setor.


