Após uma semana da reportagem da RTP, Vítor Costa, presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde e também presidente do PS local, convocou os jornalistas e informar a sua posição: exigir a saída de Isaac Braga da presidência da Junta de Freguesia da cidade, ao sublinhar que, por se tratar de um cargo eleito, não existe possibilidade de demissão por terceiros. “Não há demissões. Apenas renúncia”, afirmou, apelando a que o autarca abandone o cargo. Vítor Costa não quer eleições, mas sim que Isaac Braga saia e dê o lugar ao número dois da Lista vencedora, Sílvia Ferreira, atual tesoureira, que admitiu nunca ter tido acesso às contas.
As palavras do líder concelhio socialista, surgem após uma reunião realizada na noite de quinta-feira pela Comissão Política Concelhia do Partido Socialista, onde foi analisada a situação política na Junta de Freguesia após o chumbo da conta de gerência de 2025 e as notícias de alegadas irregularidades.
Vítor Costa confirmou ainda que solicitou à Inspeção Geral de Finanças uma inspeção urgente às contas da Junta de Freguesia, lembrando que a fiscalização das autarquias compete ao Estado. “Quem fiscaliza é o Estado, através da Inspeção‑Geral de Finanças e do Tribunal de Contas”, disse, rejeitando qualquer interferência direta da Câmara Municipal.
Sobre o chumbo das contas, o presidente da câmara apontou a ausência de documentação de suporte como fator determinante para a posição dos eleitos socialistas. “Quando se aprovam contas, pressupõe‑se que existem documentos que sustentam os valores apresentados. Esse suporte não foi disponibilizado”, explicou.
O autarca referiu também que reuniu com vários eleitos e responsáveis locais, assegurando existir uma posição clara dentro do PS quanto à necessidade de ultrapassar a atual crise. Segundo indicou, os órgãos locais defendem a reposição do normal funcionamento da Junta de Freguesia.
Apesar da pressão política, Vítor Costa lembrou que a saída do presidente da Junta depende de decisão própria ou de mecanismos legais, mas deixou um apelo direto: “Não consigo conceber que, nestas condições, não haja uma decisão de afastamento”, reiterando que o partido pretende uma solução rápida para restabelecer a normalidade institucional.


