Sem dívidas e com ambição: Varzim testa apoio dos sócios a uma SAD

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A Assembleia Geral do Varzim Sport Club, realizada na noite desta sexta-feira na Biblioteca Diana Bar, ficou marcada por dois momentos: a confirmação da conclusão dos processos especiais de revitalização (PER) e a abertura de um debate sobre a eventual criação de uma Sociedade Anónima Desportiva (SAD).

Com o encerramento dos PER (Clube e Varzim SDUQ), a direção anunciou que o Varzim parte para a época 2026/2027 livre de passivo, e que agora entra numa nova fase de estabilidade. Para a próxima temporada, o orçamento prevê cerca de 1,75 milhões de euros em receitas e 1,73 milhões em despesas.

No entanto, o ponto que dominou a reunião foi a auscultação aos associados sobre a constituição de uma SAD, vista como um caminho para reforçar a competitividade desportiva e melhorar as infraestruturas. Apesar de ainda não existir qualquer proposta concreta, a direção quis medir o sentimento dos sócios antes de dar passos formais.

Entre os mais de 200 sócios presentes, apenas quatro intervieram, mas ficou evidenciado um sinal claro: há vontade de ambição desportiva e de encontrar soluções que permitam ao Varzim regressar às ligas profissionais, ainda que persistam dúvidas sobre os moldes de um eventual acordo com investidores.

O presidente da Assembleia Geral, André Tavares Moreira, esclareceu os procedimentos necessários para avançar com uma SAD, que terá de cumprir rigorosamente os estatutos e a lei. Entre as exigências, destacou: convocação de uma Assembleia Geral dedicada exclusivamente ao tema; parecer obrigatório do Conselho Fiscal e restantes órgãos sociais; apresentação completa de todos os elementos do negócio (investidores, valores, prazos, modelo de governação); disponibilização da documentação aos sócios com antecedência mínima de 20 dias e uma votação final por escrutínio secreto. “Não será convocada qualquer Assembleia Geral sem que toda a documentação esteja disponível”, garantiu, e assegura transparência e tempo para reflexão por parte dos associados.

Também o presidente do clube, Ricardo Nunes, assumiu uma posição clara: o Varzim precisa de pensar o futuro com realismo. Recordou o caminho recente, destacou o trabalho das equipas que permitiram ultrapassar a crise financeira e retirar o clube de uma situação “completamente negra”.

Ainda assim, alertou para as limitações atuais. Segundo o dirigente, o Varzim enfrenta dificuldades estruturais: forte dependência de subsídios e receitas limitadas; redução do orçamento em cerca de 300 mil euros face à época anterior; incapacidade de competir financeiramente com clubes profissionais e carências nas infraestruturas e na Formação. “O Varzim não tem, neste momento, condições para competir nas ligas profissionais”, assumiu, e alertou que subir sem sustentabilidade poderia significar voltar a um ciclo de endividamento”. Mais desenvolvimento e novidades sobre a equipa principal, na edição papel de 23 de junho.