A TRAMPA…DOS TRUMPS

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Esqueçamos, para tornar coerente esta analise, as ideologias políticas quer de esquerda quer de direita, para tentarmos perceber este incompreensível resultado das eleições americanas.
Estando os EUA com uma economia em crescimento, tendo praticamente pleno emprego, seria, por isso mesmo, um dos países menos previsível para esta revolta contra os políticos que a eleição de Trump representa.
Assistimos a uma campanha eleitoral em que se falou de tudo menos de política, ou antes, falou-se dela pela negativa, destacando por parte deste candidato tudo o que de negativo seria desejável.
Falando para os excluídos, desprezando os valores dum país próspero e aberto a diversas correntes de pensamentos, abusando de insultos inadmissíveis entre os dois candidatos finais, estes encarregaram-se de provar, a quem duvidas ainda tivesse, quanto os eleitores são indiferentes ás propostas que lhe apresentam.
Cada vez mais manipulados pelas redes sociais que sem qualquer controlo dos “media” tradicionais, debitam ideias populistas, irrealistas e disparatadas, os eleitores conscientes, sentem-se presas fáceis dos políticos que elegeram.
O sr. Trump, foi um oportunista notável, só possível por ser um trapaceiro com óptimos resultados nos negócios, numa sociedade prenhe de oportunidades, sejam elas legais ou ilegais desde que saibam controlar um sistema permeável a estas situações.
Falar de política séria, nunca foi tema nestas eleições, diante da sua concorrente que se deixou enlear nesta tática, com uma ingenuidade surpreendente para quem se dizia tão experiente e informada.
Mas chegou para demonstrar que a política deixou de interessar a um grande número de cidadãos, traídos nas suas convicções e nas suas esperanças.
Seria só um problema interno, se os EUA não fossem a maior potência mundial, capaz de alterar as matrizes dum mundo, todo ele com sintomas de desinteresse e traumas semelhantes e igualmente descrentes dos seus representantes.
Que estas eleições vão alterar radicalmente os equilíbrios existentes em todo o mundo, é uma realidade evidente.
O que acontecerá agora na Europa onde brevemente se vão realizar eleições em diversos países com gravíssimos problemas económicos e sociais e onde, cada vez mais se evidenciam laivos de extremismos dos mais diversos, com potenciais candidatos com as mesmas características do americano agora eleito?
A Europa como um todo, mas a UE principalmente, vão sofrer com toda a certeza a ressaca das eleições americanas.
Bom será que os eleitores europeus, com as mesmas razões de queixa, talvez ainda piores que os americanos, sejam coerentes com os valores que os tem distinguido, como polo agregador do bom senso que nos tem caracterizado e que fizeram deste velho continente uma montra do que bom se tem realizado no mundo.
Mas cuidado.
Os eleitores europeus também estão cansados de velhas promessas nunca cumpridas, de políticos incapazes, corruptos e desinteressados do bem comum, preferindo defender os seus interesses em vez que serem estadistas dignos dos lugares para os quais os elegeram.
Se ridicularizamos e tememos mesmo o eleito americano, tenhamos o bom senso de não repetir a experiência, apesar do impulso que esta eleição deu aos extremistas que se perfilam também na EUROPA.
Mesmo com os actuais responsáveis, a UE tem já muitas falhas e muita contestação e corre o risco de afundar o extraordinário projecto em que ha muitos anos se envolveu.
Bom será que todos tenhamos em mente esta realidade e não importemos modelos que devemos desprezar e atitudes em que não nos podemos rever.