Cidades de sucesso – Sustentabilidade ambiental

684

Edgar Torrão

No meu último artigo aqui no Mais Semanário (Cidades de sucesso precisam de líderes capazes) referi os 3 grandes eixos que as cidades de sucesso possuem: Sustentabilidade, Coesão social e Territorial e Inovação.

Vou procurar nas linhas seguintes abordar uma ínfima parte do eixo Sustentabilidade, cujo conceito tem vindo a sofrer ao longo do tempo diversas melhorias. Originalmente, a ONU definiu sustentabilidade em 1987, no relatório Brundland, “desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades das gerações actuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem a suas necessidades e aspirações”. Transpondo para uma visão de cidade, aquilo que se pretende é que as nossas cidades consigam ser um ecossistema (quase) perfeito que consiga satisfazer os munícipes e todos aqueles que as visitam.

Um dos aspectos que considero estar ao alcance dos políticos que nos governam é a capacidade de transformarem a vida das suas cidades. Daí, as cidades mais atraentes se apresentarem como aquelas que respeitam o Ambiente, não só pelas práticas adoptadas pelas Câmara Municipais como também pelas práticas que todas as comunidades adoptam.

Prioridades como arborização da cidade, energias renováveis ao serviço das pessoas, incentivos à agricultura biológica (não só pequenas produções como também envolvendo as associações nesse desiderato), promoção de trilhos e passeios pedestres pelo Município, penalização dos agentes poluidores, domésticos e industriais, promoção do turismo verde, substituição progressiva da frota automóvel do Município por viaturas menos poluentes, desmaterialização da gestão autárquica, energias renováveis nos equipamentos municipais, educação ambiental em ambiente formal e não formal, penso que são consensuais. Um tema que me parece incontornável, será a clara aposta nas cidades inteligentes. Não tenho dúvidas que o futuro passará por investimentos realistas mas consistentemente planeados e pensados na progressiva introdução de inteligência artificial ao serviço da comunidade, seja na gestão eficiente da sinalização de trânsito, seja na gestão das águas e das fontes de energia dos equipamentos municipais. A introdução de flora e fauna em parques da cidade é também uma forma de aproximar as pessoas e também de contribuir para a sua educação, sobretudo das crianças. É importante que os líderes locais saibam perceber que têm uma excelente oportunidade de criar programas de educação ambiental que, coordenados com as escolas do seu concelho, podem fazer com que a vida ao ar livre nos seus parques seja uma realidade.

Na última década as nossas cidades deram um salto qualitativo importante nessa matéria, a maioria devido ao efeito arrastão que as normas comunitárias introduziram, ainda que subsistam algumas resistências incompreensíveis à transformação das cidades. Por exemplo, continuam a ser observados conflitos abundantes no planeamento urbano que derivam invariavelmente em desfavor do ambiente. Conheço bem alguns casos concretos em que contaram para “espaços verdes” rotundas de acesso a hipermercados. Sem falar nos blocos habitacionais que se construíram sem qualquer tipo de cuidado em manter espaços comunitários verdes, aprazíveis e de qualidade.  E o que mais ofende nem é o cinismo do gestor da cidade que aprova semelhante projecto, o que mais ofende é o silêncio cúmplice ou anestesiado das instituições, dos técnicos e da própria comunidade.  Projectar cidades verdes, com espaços de fruição comunitários ao longo da cidade, num espaço aprazível que faça com que as pessoas possam retornar aos valores simples da vida e encontrar-se com a natureza.