ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS

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Depois de um País em chamas com o PSD e o CDS/PP num posicionamento e discurso controverso, irresponsável e perigoso, tentando aproveitamento político/partidário dos trágicos incêndios, numa onda e alinhamento de choque, vai realizar-se no próximo dia 1 as eleições autárquicas. Foi um período negro, de grande desorientação, à procura do que não existia, em que cada uma das suas intervenções era um tiro nos pés.

Depois de um País em chamas com o PSD e o CDS/PP num posicionamento e discurso controverso, irresponsável e perigoso, tentando aproveitamento político/partidário dos trágicos incêndios, numa onda e alinhamento de choque, vai realizar-se no próximo dia 1 as eleições autárquicas. Foi um período negro, de grande desorientação, à procura do que não existia, em que cada uma das suas intervenções era um tiro nos pés. Naturalmente que aquele posicionamento sempre irá refletir-se nos resultados. Não fosse os sociais-democratas terem bons candidatos, eu estaria já anunciar a sua pesada derrota. Mas, nestas eleições, as mais genuínas, os eleitores votam em quem acreditam.

Depois de o CDS ter governado a Póvoa entre 1976 e 1989, considero as eleições realizadas em 1993 cruciais para o que tem sido o domínio do PSD na Câmara. Era uma disputa em que os Partidos não se podiam distrair, não podiam falhar. Manuel Vaz que havia liderado entre 1979 e 1993, primeiro pelo CDS e no último mandato pelo PSD, não se recandidatava. Foi o PSD com Macedo Vieira que ganhou, embora com pouca diferença do CDS com Augusto Boucinha, que a partir daí entrou em declínio. O PS colapsou, não conseguindo qualquer mandato. Assim, a abertura de um novo ciclo político com Macedo Vieira e o Partido Social Democrata. Em 2009 há novamente eleições autárquicas importantes para disputa partidária, porque Macedo Vieira condicionado pela Lei de Limitação de Mandatos não se recandidatava. No entanto, o PSD com quatro maiorias absolutas, já era um bastião e apresenta Aires Pereira que estava na calha, que ganha com mais uma maioria absoluta para o PSD.

Tracei esse “quadro”, porque nele reside, de certa forma, o que se passará no dia 1. Não tenho dúvidas que o PSD, novamente com Aires Pereira/Afonso Pinhão ganhará com facilidade. Os sociais-democratas têm grande implantação no concelho e um candidato experiente, que conhece bem os “dossiers”, com grande capacidade política, perspicaz, que geriu bem a sua imagem, cumpriu, embora tenha muito e melhor a fazer e, não tem alternativa na concorrência. O Partido Socialista com Miguel Fernandes/Miguel Pinto que tem tentado melhorar as suas candidaturas, as suas propostas e os seus projetos, ainda não percebeu como se pode ganhar eleições! O CDS-PP com Miguel Guimarães/Jorge Quintas Serrano poderá manter um vereador, enquanto a CDU com José Rui Ferreira/Manuel Santos, o B.E com Victor Pinto/Rocha Pereira e o PAN com Diana Vianez não conseguirão qualquer mandato.

A disputa em Vila do Conde será renhida. O cenário que se apresenta, leva a uma grande imprevisibilidade. Está tudo em aberto. Pode ganhar o PS que apresenta António Caetano/Abel Maia, a “NAU – Nós Avançamos” com Elisa Ferraz/Lúcio Ferreira ou a coligação PSD-CDS “ Mais Vila do Conde “ que avança com Constantino Siva/Luísa Maia. Com a divisão havida, o Partido Socialista que com Mário Almeida é um bastião em Vila do Conde e sempre teve maioria absoluta, não irá ter as facilidades de outrora. Conta com a “máquina” que bem o pode ajudar. A NAU que se tem mobilizado bem, conseguirá votos dos vários quadrantes. A coligação PSD-CDS, que face às eleições de 2013 poderia totalizar 39,15% e estaria no atual quadro em ótima posição, não “trabalhou” para aproveitar o novo ciclo político e a cisão no PS. Houve alguma deserção nos sociais-democratas, que cometem um erro histórico em não conseguir fixar o seu eleitorado e ganhar as eleições. A CDU com Pedro Martins/Victor Lopes e o B.E que apostou em António Louro/José Vila Cova não têm a mínima hipótese. Existe um “pote” de abstenções das últimas eleições de 50,89% na Póvoa de Varzim e de 43,83% em Vila do Conde, que bem trabalhado, podia e pode decidir.

Aguardemos o que nos reserva o dia 1 de Outubro.