Vá votar… para poder ‘botar’ faladura!

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Domingo, cumprindo o calendário eleitoral, os Poveiros, todos os Poveiros, vão ter uma nova oportunidade de poder cumprir o ritual democrático que lhes permite o exercício de um Direito cumprindo um Dever. O Direito de escolher quem querem que governe a sua Câmara Municipal, as suas Freguesias, cumprindo assim o Dever de Votar.

Nestas eleições autárquicas no próximo domingo, dia um de Outubro de 2017, o leque de oferta político/partidária na Póvoa de Varzim, é mais alargado que à quatro anos. O dito partido dos animais e natureza é a novidade. O PSD, o PS, o CDS, A CDU e o BE, repetentes e relapsos nestas andanças eleitorais, com mais ou menos mudanças nos elencos dos actores principais, pelo curriculum e contribuições nos caminhos passados percorridos, ou não, ainda não foi desta vez que se viram confrontados com concorrência fora dos trilhos partidários usuais. Os independentes na Póvoa não são coisa que se cheire, ou que os Poveiros gostem como erva de cheiro, nem que seja como substituto do que faz mal à saúde. E alguns independentes são ‘independentes’ demais para o gosto conservador cá do burgo. Se não há Democracia sem partidos, não pode haver acção política democrática sem confrontação de ideias, de projectos, de modos de ser e estar. O respeito pela Lei e pela Ordem, não dispensa a utopia, a diferença, a contestação. O Voto dá legitimidade, mas o exercício transparente, rigoroso e dialogante, dos que assumem o poder, e dos que na oposição batalham, fazem parte, são um dos modos que distingue uma governação civilizada, de um faz-de-conta travestido. E como nestes últimos quarenta anos de Poder Local tantos se travestiram. Quando os políticos não respeitam, não se respeitam, não causa admiração que os eleitores fujam das urnas. Daí que, na contagem e leitura dos resultados eleitorais, tudo, mesmo tudo, tem de ser escrutinado, ponderado, analisado e considerado. Se Votar é o exercício de um Direito, é mas também o cumprimento de um Dever. E isso responsabiliza quem é eleito. Como exercício democrático não se esgota por parte de quem escolhe. Se votar significa o Direito a uma escolha, o Dever de cidadania para ser cumprido e respeitado, não termina introduzindo o seu voto na urna. Esse pequeno esforço, esse pouco tempo para uma grande decisão, acto de participação e cidadania, não pode ficar como responsabilidade ou encargo de uma parte dos Poveiros, os que vão votar. E não acreditamos que os Abstencionistas sejam todos ‘contra o sistema’. Assim como não aceitamos o que é comum ouvir dizer o indígena portuga, ‘tenho Direito de não votar’. Claro que pode não votar. Não o faz talvez por cobardia, preguiça ou outra coisa qualquer, nunca como Direito.

Por isso, no próximo domingo, se gosta tanto dos seus, da sua família, de ser respeitado… vá votar. A Abstenção não é arma… é uma armadilha que o pode calar.