EUROPEIAS

13220

Por Mário Bettencourt Sardinha

Os vencedores foram PS, BE e PAN. Os derrotados PSD, CDS e CDU. Se era previsível os bons resultados dos socialistas, dos bloquistas e os maus resultados dos sociais-democratas e centristas, os resultados do PAN e da CDU foram uma surpresa.

A melhoria da situação económica, financeira, social e estabilidade do País beneficiou o PS e, naturalmente, o candidato. O Governo recebeu o voto de confiança e o aval à sua governação, forma de estar, soluções e prioridades. As eleições foram encaradas como primárias das próximas legislativas. António Costa arriscou e ganhou.

A campanha eleitoral foi muito fraca, muito pobre, sem conteúdo político. Os TEMAS EUROPEUS foram ignorados e se havia algo a esclarecer, os portugueses, os eleitores ficaram ainda mais interrogativos e desiludidos. Aparecia, por vezes, um “oásis” com Marisa Matias que polarizou votos, com João Ferreira e com Paulo Sande do Aliança e Rui Tavares do Livre que seriam bons deputados, mas que não foram capazes de convencer o eleitorado. Aliás, foram as questões nacionais que dominaram a campanha. Esse “quadro” conjugado com a cada vez maior descrença, desilusão, “cansaço” dos Portugueses contribuíram para a continuação da ABSTENÇÃO, inflacionada pelos cadernos eleitorais desatualizados numa eleição muito importante, já que da configuração do P.E. muito depende a eleição dos Presidentes do Parlamento, do Conselho, da Comissão, do BCE. Ora, face aos resultados muito divididos na Europa, tudo passará por um acordo, que não vai ser fácil, entre PPE, Socialistas, Liberais e eventualmente Verdes. Naturalmente que Portugal está atento, expectante, às soluções encontradas, pois a vida e os interesses dos Portugueses muito delas depende.

O PS fez a campanha possível, quase permanentemente a ter que contrapor, tantos eram os ataques fúteis e pessoais. António Costa esteve muito presente, foi uma grande mais valia e um grande ganhador. O PSD e o CDS foram derrotados pela estratégia medíocre que levaram para a campanha. Uma estratégia com o único propósito, único sentido de atacar e denegrir a governação: eram os incêndios, eram as famílias no governo, era Sócrates… utilizando sempre um discurso agressivo, muita gritaria e espetáculo. No “Processo Professores” foram de uma grande inabilidade política. O PSD nesse “dossier” andou muito mal. Como foi possível num assunto muito importante, determinante, Rui Rio ter deixado em “roda livre” a deputada que estava a consensualizar o posicionamento do partido, sabendo-se como se “atam” essas soluções. Considero um momento muito infeliz do líder, agravado por mais tarde vir dizer que não sabia o que iria ser votado. Inicialmente deveria ter dado as diretrizes e acompanhado permanentemente, mesmo permanentemente, a evolução dos acontecimentos. No fim mitiga com uma salvaguarda imbuída de variáveis, mas que continuava a ser um grave erro. Rui Rio deixou de ser visto como um político de contas certas, de rigor e de defensor das finanças públicas. Foi “beliscado”, pois sempre diz que põe os interesses do País acima de todos os outros. Entendendo-o…mas falhou. É sabido que é muito pressionado, que tem muito contravapor interno, muitos detratores, mas tem que ter coragem, determinação, firmeza e poder de decisão para reganhar o Partido e o País e prosseguir nos objetivos que pretende. Não semeou nem se rodeou dos melhores, mas poderá ainda recuperar…se for “buscar” a sua “tropa” e outros “generais” com peso político. Mas muita atenção com antigos dirigentes pseudo dominadores, pseudo amigos em que…”com amigos assim não precisa de inimigos”. Seria bom que entrasse no “carril” certo. O CDS teve uma campanha desastrosa, onde o discurso demagógico, populista, radical e a agressividade, a arrogância, a gritaria, a maledicência e a ignorância de toda a realidade estiveram presentes. A Líder entusiasta, ainda pensa ser a alternativa!? A CDU fez uma campanha dentro do seu formato e estilo, aflorando e puxando questões europeias, mas foi vítima da evolução dos tempos e da sociedade civil. O BE teve em Marisa Matias uma candidata serena, segura, que bem se comportou, tentando introduzir questões europeias. Atenção com o BE, agora com novos “pensadores” e Catarina Martins que é ávida de votos. O PAN, que tem sido sobretudo um Partido defensor dos animais, abordou questões ecológicas e climáticas, que estavam de certa forma órfãs e que no futuro aparecerão em todas as “agendas” …Foi bem-sucedido, mas não se deverá esquecer das pessoas…e do País.                                                                                                                                                  

Aguardamos o bom desempenho dos 21 deputados eleitos, que defendam os reais interesses de Portugal e dos Portugueses, “remando” todos nesse sentido.