Pescadores querem reduzir frota em atividade mas pedem apoios

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O setor da pesca tem condições para reduzir em 70% o número de embarcações a laborar sem que isso traga consequências para o consumidor. Quem o diz é a Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar, lembrando que, para essa redução ser possível, será necessário o apoio do Governo.

“Face às condições presentes do setor e face a esta pandemia que a todos nós afeta, deve haver uma adaptação às circunstâncias atuais”, diz José Festas, presidente da Pró-Maior, garantindo que o setor deve manter-se em atividade em cerca de 30% da frota nacional, por forma a que não faltasse nos postos de venda peixe fresco para o consumidor.

“Ao reduzir o número de embarcações a laborar, consequentemente todas as atividades conexas à pesca podiam reduzir também em cerca de 70%, como é o caso dos funcionários das lotas, tripulantes de terra que tratam do peixe e compradores, evitando-se a concentração de pessoas”, continua o dirigente.

Esta solução “não iria ter consequências” no consumidor final, pois a situação seria oportunamente revista e, se fosse o caso, alterada em conformidade.

Dos vários contactos tidos a propósito do assunto, a associação foi informada de que esta medida pode ser enquadrada no programa MAR2020, por forma a obter financiamento junto da União Europeia. Mas esta decisão, avisa Festas, apenas é possível se houver comum acordo entre todos os intervenientes do setor da pesca e com a devida coordenação de quem detém a tutela.

“A nossa posição tem sido transmitida aos governantes que tutelam o setor das pescas e aguardamos a tomada de medidas de forma urgente. Não nos restou outra alternativa senão vir publicamente transmitir as preocupações do setor da pesca, uma atividade já por si difícil, que neste momento ainda mais difícil se torna”.

José Festas diz mesmo que o “desalento e desânimo”, decorrentes da falta de apoio, começam a instalar-se no setor da pesca.