A escolha dos padrinhos, nos registos de nascimento – Argivai (1849-1872)

O nascimento de uma criança sempre foi, desde tempos imemoriais,um milagre de Deus. A religiosidade da família,associada ao facto da criança sobreviver, iniciava assim, o percurso de vida até chegar a adulto. Esta crença num futuro e o agradecimento por tal dádiva,fazia-se notar em diversos aspetos, nomeadamente na própria escolha dos padrinhos (segundos pais).

A escolha habitual de padrinhos e madrinhas, como ainda hoje acontece começaria por ser, para com familiares próximos. No entanto, por diversas vezes a escolha recaía em santos e santas da igreja católica.

Apesar de neste artigo eufazer referência a um período de tempo específico, verdade é uma,sendoeude uma época, naturalmente muito mais recente, tenho irmãos e irmãs que tiveram padrinhos divinos. Esta prática mesmo tendo diminuído ou praticamente desaparecido,ainda permaneceu por muito tempo.No meu caso e por ter nascido no Natal,sei depessoas da freguesia quechegaram a sugerir à minha mãe, que me chamasseMaria daNatividade ou que tivesse como padrinho o Menino Jesus. Podia ter acontecido, mas não aconteceu. Em contrapartida,tive como padrinho,um irmão ecomo madrinha,uma irmã.Escolhaigualmente original.

Ora, voltemos então, à época escolhida para estudo. Entre 1849 a 1872, em Argivai, nasceram 199 crianças. Segundo nos dizem os registos,estas crianças nasceram na sua larga maioria entre março, janeiro e maio. Sendo que, foram setenta,asbatizadas no próprio dia. No terceiro dia, foram trinta e nove. Após o décimo quarto dia, uma criança,e dois casos sem qualquerreferência. Apesar dos registos de nascimento nos darem esta informação, pode não ter sido bem assim. Não nos esqueçamos que os pais poderiam omitir datas exatas para evitar o pagamento de multa àigreja. Como nos dizem as Constituições: “Do dia do nascimento de qualquercriatura até nove dias, o seu pai, a sua mãeou outra pessoa que dele cargotiver, afaça batizar em sua paroquial Igreja, e não sendo assim, causa justa paguem um arrátelde cera para a dita igreja.” *

Assim, em Argivai entre 1849 e 1872 a escolha de padrinhos recaiu no Santo António por dez vezes; no São José e no Menino Jesus, oito vezes;a Nossa Senhora do Rosário e a Nossa Senhora da Conceição foram madrinhas uma vez,cada uma; a Nossa Senhora da Lapa foi duas vezes madrinha,e as restantes crianças tiveram como padrinhos emadrinhas pessoas próximas às suas próprias famílias.Será interessante vir a saber como terá sido feita esta escolha, em todos os outros anos.Cada coisa a seu tempo.

Desejo a todos o melhor Natal possível!

Sofia Teixeira
*Constituições Sinodais de Braga, Volume I, Ano de 1538.

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